O papel estratégico do centro logístico vai além do simples armazenamento, serve como um ponto estratégico de coordenação, no qual produtos, dados e documentos circulam de forma estruturada
As despesas com logística no Brasil se aproximam de R$ 1 trilhão por ano, apresentando um crescimento anual contínuo, conforme o Instituto Ilos. Estimativas apontam que esses custos consomem cerca de 15% do PIB nacional, um patamar elevado quando comparado a economias mais maduras. Por isso, a estruturação de um centro logístico surge como uma estratégia efetiva para superar desafios.
O setor logístico brasileiro enfrenta a mesma dificuldade global: reduzir ou, ao menos, controlar os seus custos. Esse cenário pressiona margens, impacta precificação e exige investimentos em tecnologia, processos e infraestrutura. No Brasil, esta preocupação é ainda mais relevante devido às dimensões continentais do país, longas distâncias, diferentes modais de transporte e complexidade tributária.
Por isso, a eficiência logística passou a ser um fator de sobrevivência para empresas de todos os setores. Nesse contexto, o centro logístico assume um papel central na organização, no controle e na otimização dos fluxos de mercadorias.
Mais do que um espaço físico específico para a armazenagem, ele concentra outras atividades de perfil estratégico, como movimentação interna, preparação e separação de pedidos, embalagem e distribuição. Em muitos casos, é o elo que conecta fornecedores, indústria, operadores logísticos, varejo e consumidor, sustentando a eficiência operacional ao longo de toda a cadeia de suprimentos.
O que é um centro logístico?
Um centro logístico é uma estrutura dedicada à concentração, à organização e à execução de atividades logísticas especializadas. Ele pode ter diferentes formatos físicos, como galpões, armazéns, silos, contêineres ou plataformas logísticas multimodais, dependendo do tipo de carga gerenciada, do segmento atendido e da estratégia do negócio.
Sua função vai além do simples armazenamento. O centro logístico serve como um ponto estratégico de coordenação, no qual produtos, dados e documentos circulam de forma coordenada. É nesse ambiente que se viabiliza o controle de estoque, a consolidação ou o fracionamento de cargas, a preparação de pedidos e a expedição, sempre com foco em produtividade, rastreabilidade e redução de custos.
Cada empresa estrutura seu centro logístico de acordo com suas necessidades. A localização, por exemplo, leva em conta a proximidade de fornecedores, clientes, centros urbanos ou corredores logísticos.
O nível de automação também varia conforme o volume de operações, a complexidade do portfólio e a maturidade tecnológica do negócio. De forma geral, observa-se um movimento crescente de investimentos em automação inteligente e digitalização de processos, como forma de aumentar a eficiência e reduzir as falhas operacionais.
Um centro logístico ainda serve como base para suportar estratégias de crescimento – oferecendo escalabilidade –, expansão geográfica e atendimento a picos de sazonalidade logística. O propósito por trás desta medida é aprimorar os fluxos internos e, consequentemente, o desempenho da organização.
Como funciona um centro logístico na prática?
O funcionamento de um centro logístico envolve uma série de atividades interligadas, que precisam operar de forma coordenada para garantir fluidez, precisão e velocidade. Para isso, os negócios investem no uso de plataformas logísticas baseadas em dados para ter total visibilidade dos processos. Embora cada operação tenha suas particularidades, existem processos comuns à maioria dos centros logísticos.
Recebimento
O recebimento é a porta de entrada dos produtos.
Nessa etapa, são realizadas conferências físicas e documentais, verificação de quantidades, checklists de inspeção e validação das informações fiscais. É este cuidado que vai reduzir divergências futuras, evitar erros de estoque e garantir que os produtos estejam corretamente registrados nos sistemas.
Armazenagem
Após o recebimento, os itens são direcionados para áreas de armazenagem já previamente definidas.
O endereçamento correto considera critérios como tipo de produto, giro de estoque, peso, volume e requisitos específicos para conservação – produtos perecíveis exigem cuidado maior. Uma armazenagem eficiente otimiza o espaço físico e facilita o andamento das etapas seguintes do fluxo logístico.
Gestão de estoque
A gestão de estoque envolve o controle contínuo de quantidades, localização, validade e movimentações dos produtos. É uma atividade crítica para evitar rupturas, excessos e perdas – e ainda aprimora a gestão de compras. Com o apoio da tecnologia certa, torna-se possível acompanhar o giro dos itens, planejar reposições e alinhar o estoque à demanda real do mercado.
Manuseio de cargas
O manuseio de cargas inclui atividades como picking, packing e movimentações internas estratégicas entre centros logísticos de finalidades específicas. A separação correta dos pedidos, a escolha adequada das embalagens e a organização dos fluxos internos refletem na produtividade, no custo operacional e na experiência do consumidor.
Gestão documental
A gestão documental garante conformidade fiscal e agilidade nos envios, respeitando os detalhes da legislação brasileira, incluindo demandas estaduais ou municipais. Envolve a emissão e o controle de notas fiscais, etiquetas, manifestos de carga e demais documentos exigidos para o transporte de mercadorias. A integração entre sistemas é fundamental para evitar retrabalho e atrasos.
Personalização
Em alguns modelos de negócio, o centro logístico também realiza atividades de customização, como montagem de kits, personalização de embalagens ou inclusão de materiais promocionais. Esses serviços agregam valor ao produto e fortalecem a estratégia comercial, ampliando as margens operacionais.
Logística reversa
A logística reversa envolve a devolução de produtos, trocas e retornos.
A ideia é estruturar processos que reduzam estes custos, melhorem a experiência do cliente e contribuam também para práticas mais sustentáveis, especialmente em operações de e-commerce.
Quais os tipos de centros logísticos existentes?
A realidade é que as exigências logísticas, as demandas operacionais e os perfis de clientes vão influenciar o formato do centro logístico, suas principais atividades e objetivos. Por isso, existem diferentes tipos de estruturas, cada uma com funções próprias e que podem servir a diferentes propósitos.
Centro de atendimento
Comum em operações de e-commerce ou marketplaces, o centro de atendimento costuma estar localizado próximo aos grandes centros consumidores. Seu objetivo principal é reduzir prazos de entrega, especialmente na etapa de last mile. É comum contar com um portfólio de itens de giro rápido, com demanda elevada e que estejam elegíveis às entregas expressas.
Centro de custo
Funciona como um ponto intermediário entre fornecedor e cliente.
Seu principal propósito é contribuir para o controle de estoque, na prevenção de perdas e na gestão eficiente das operações logísticas, auxiliando no controle de custos.
Centro de carga
Normalmente utilizado em operações multimodais, conecta diferentes tipos de transporte, como rodoviário, ferroviário, aéreo ou marítimo. É essencial para operações de grande escala e fluxos internacionais, caso de commodities agrícolas e outros produtos de alto valor no mercado internacional.
Centro de separação ou desconsolidação
Se volta à divisão de cargas em lotes menores ou pedidos individuais. Para isso, exige tecnologias de identificação, classificação e embalagem para garantir agilidade e precisão e minimizar a possibilidade de erros.
Centro de distribuição
Um dos mais conhecidos na logística de transporte, costuma ser implantado em regiões estratégicas. Próximos a rodovias e a grandes metrópoles, visa acelerar a expedição e o atendimento a diferentes regiões de mercado com estratégia. Em um país com características como as do Brasil, é um centro logístico de muita importância.
Centro de transferência
Atua como ponto de passagem em operações mais complexas, direcionando produtos para centros de distribuição mais adequados à estratégia de distribuição.
Centro de manufatura
Associado ao setor industrial ou varejo muito específico, costuma envolver etapas finais de montagem ou de customização antes do envio. Trata-se, na prática, de uma integração entre produção e logística.
Quais empresas precisam de um centro logístico?
Em um cenário de alta complexidade logística e margens pressionadas, praticamente todos os perfis de empresas podem se beneficiar da existência de um centro logístico em suas mais variadas facetas. No entanto, negócios com atuação regional ou nacional, de médio e grande porte, tendem a ter demandas mais intensas e que se beneficiam ainda mais desse tipo de estratégia e estrutura.
De forma simples, as empresas precisam se questionar:
- Há a possibilidade de otimizar os processos logísticos – recebimento, armazenagem, separação, embalagem e expedição?
- Como posso aumentar a agilidade sem ampliar os custos?
- É possível aproveitar economias de escala ao aprimorar a negociação com fornecedores e prazos de entrega?
- Como planejar e coordenar variações de sazonalidades, um movimento que é muito comum na maioria dos negócios?
Se os gestores acreditam que há a oportunidade de melhoria em qualquer uma dessas frentes, os negócios podem colher benefícios de investir em um centro logístico. Indústrias, atacadistas, varejistas, operadores logísticos e empresas de e-commerce e o varejo tradicional estão entre os principais usuários desse tipo de estrutura.
Embora negócios de grande e médio porte sejam o alvo central da estruturação de um centro logístico, a popularização de soluções cloud faz com que negócios de pequeno e médio porte também possam investir em estruturas próprias ou optar por negócios geridos por terceiros, de acordo com a realidade de cada negócio.
Como a tecnologia apoia a gestão de um centro logístico?
A gestão eficiente de um centro logístico depende fortemente de tecnologia.
É inviável ser eficiente para atender aos requisitos de um negócio e de mercado sem o investimento em sistemas especializados que permitem controle, integração logística e inteligência operacional baseada em dados.
Não é à toa que a maioria dos negócios está investindo em construir armazéns automatizados, visando o desenvolvimento de um ecossistema alinhado à realidade da logística 4.0. Isso só é possível com tecnologia especializada, que inclui:
Warehouse Management System
O WMS gerencia armazenagem, endereçamento, picking, packing e expedição, garantindo produtividade e acuracidade de estoque. É possível saber exatamente onde se encontra cada item e qual a sua quantidade disponível, o que aprimora também a administração de suprimentos.
Transportation Management System
O TMS organiza o transporte, a roteirização de cargas e o acompanhamento das entregas, integrando custos, prazos e desempenho. É esse sistema que assegura a rastreabilidade dos itens e a transparência ao consumidor, que consegue identificar onde está o seu produto e as datas previstas de entrega.
Gestão de frota
Além dos sistemas de roteirização, a escolha dos veículos usados na distribuição de cargas afeta os custos e a agilidade. Essas soluções de gestão de frota auxiliam a acompanhar a manutenção, o consumo, a disponibilidade e o desempenho dos veículos, contribuindo para redução de custos logísticos.
Yard Management System
O YMS é fundamental na rotina de um centro logístico. Esta solução auxilia no controle do fluxo de veículos, docas e pátios, reduzindo filas, coordenando movimentações internas e externas, aumentando a segurança e melhorando a disponibilidade de recursos.
IA e machine learning
Tecnologias de inteligência artificial na logística e machine learning apoiam previsões de demanda, otimização de rotas, alocação de recursos e análise de desempenho, elevando o nível de maturidade da operação. Ou seja, o histórico e dados do próprio mercado subsidiam a simulação de cenários diversos e a tomada de decisão.
Superando as exigências de um mercado exigente
As operações logísticas não podem ser mais tratadas de maneira fragmentada e sem controles precisos.
Nessa realidade, o centro logístico se tornou determinante para empresas que buscam eficiência operacional, controle de custos e competitividade. Investir em gestão, tecnologia especializada para o segmento e automação é uma decisão estratégica para sustentar o crescimento e atender às exigências de um mercado mais dinâmico.
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