Descubra o impacto dessas empresas inovadoras no desenvolvimento e aplicação de soluções de tecnologia ao segmento, aprimorando do orçamento à gestão de projetos.
O ecossistema de inovação na construção civil segue em franca expansão no Brasil: em 2025, o Brasil já conta com 1.232 construtechs mapeadas. A maior parte delas atua em aquisição (35,6%), propriedades em uso (34,7%), construção (22,3%) e projeto e viabilidade (7,2%), conforme um levantamento da Terracotta Ventures.
Esse movimento reforça uma tendência global: a transformação digital da construção civil, impulsionada por startups capazes de unir engenharia e tecnologia na busca por soluções especializadas para este mercado. Entre 2022 e 2025, as fintechs e as construtechs ligadas ao mercado de construção e imobiliário captaram mais de R$ 4,1 bilhões em recursos.
Se este número já chama a atenção, a previsão para o próximo ciclo de 4 anos é ainda melhor: o volume de investimentos deve ultrapassar R$ 12 bilhões até 2029. Mas afinal, o que é uma construtech, o que a diferencia de uma proptech e quais inovações ela traz?
O que é uma construtech?
O termo deriva da combinação de construction (construção) e technology (tecnologia). Ele passou a ser usado para empresas inovadoras que desenvolvem soluções tecnológicas voltadas ao setor da construção civil, atuando desde o planejamento de obras e projetos até mecanismos de execução, manutenção e gestão do canteiro de obras.
Esses negócios aplicam tecnologias como inteligência artificial, machine learning, Internet das Coisas (IoT), BIM e análise de dados para otimizar processos, reduzir custos e aumentar a produtividade de maneira coordenada e estruturada.
Uma construtech é consequência da busca por solucionar desafios históricos do segmento: atrasos no cronograma de obras, desperdícios de materiais, baixa previsibilidade de projetos e gargalos de comunicação entre equipes, fornecedores e parceiros.
Diferença entre construtech e proptech
Por vezes, os termos chegam a ser aplicados como sinônimos. Mas há uma divergência de conceito.
Uma construtech se foca na fase de construção, visando otimizar projetos e a gestão operacional. A proptech, por outro lado, é a soma de propriedade e tecnologia, se voltando à gestão, à comercialização e ao uso de propriedades. Nesse caso, engloba plataformas de compra e venda, locação, financiamento imobiliário e manutenção predial.
Na prática, enquanto a construtech tem o seu papel no planejamento e execução de obras, a proptech opera com o imóvel já pronto e disponibilizado para uso.
O impacto das construtechs no setor da construção civil
As construtechs assumiram um papel estratégico no segmento, contribuindo para a digitalização do canteiro de obras. Sabe-se que a construção civil é, ainda, um dos segmentos mais analógicos, enfrentando dificuldades para modificar a rotina e automatizar processos. Este efeito costuma ser percebido em três frentes:
- Digitalização: processos antes manuais passam a ser gerenciados digitalmente, trazendo visibilidade em tempo real e integração de dados.
- Automação: uso de drones, robôs e sensores IoT para monitoramento, inspeção e execução de tarefas repetitivas, assim como vistorias, auditorias e checklists de obras.
- Produtividade: redução de desperdícios e maior eficiência na alocação de recursos e equipes, seguindo as indicações de um diário de obras digital.
Esses fatores trazem mais previsibilidade, segurança e competitividade ao setor. Também contribuem para atingir um objetivo muito buscado por construtoras, incorporadoras e imobiliárias: a sustentabilidade, com redução no consumo de energia e água, dentro das estratégias de ESG.
Principais áreas de atuação das construtechs
As empresas inovadoras em construção civil têm uma atuação diversificada, integrando-se a todo ciclo de vida do segmento. É comum que estejam na gestão de obras e projetos, a partir de soluções especializadas de gestão, como os ERPS, que centralizam cronogramas, orçamentos e indicadores do mercado imobiliário.
Essas ferramentas ainda otimizam a compra de insumos e equipamentos, conectando fornecedores e parceiros. Esta previsão é ainda mais estratégica quando se conecta com a modelagem BIM, que permite simulações diversas, otimizando os estudos de viabilidade e o orçamento de obras.
Uma das possibilidades do BIM é prever soluções especializadas, trazidas, por exemplo, por impressão 3D ou construção industrializada. Cada vez mais, as construtoras e incorporadoras buscam métodos construtivos rápidos, sustentáveis e de menor custo.
Na abrangência das proptechs, realidade aumentada e virtual agregam a imersão em projetos e apresentações interativas para clientes, modificando a forma como se negocia na construção civil. A ideia é agregar valor desde o planejamento até a entrega da obra.
Para isso, uma construtech deve superar barreiras como escalabilidade, integração de sistemas legados, barreiras regulatórias e normativas relativas à operação. E, no caso da construção civil, sua introdução aos projetos ainda requer um avanço da cultura organizacional.
Benefícios das construtechs para construtoras e incorporadoras
As soluções desenvolvidas por construtechs e proptechs oferecem diversos benefícios para as empresas do setor. De que forma?
- Redução de custos e desperdícios de materiais;
- Melhor controle de prazos e orçamentos;
- Integração de equipes e informações em tempo real;
- Maior previsibilidade financeira e operacional;
- Tomada de decisão fundamentada e baseada em dados;
- Aumento da segurança no canteiro de obras, especialmente com a introdução de drones e outras ferramentas que não expõem os trabalhadores a riscos;
- Sustentabilidade e conformidade com normas ambientais.
Na prática, todos esses pontos refletem a capacidade de centralizar dados, padronizar processos e integrar diferentes etapas do projeto com soluções especializadas para o segmento, que aumentam a competitividade e a transparência.
Parcerias entre construtoras e construtechs: inovação colaborativa
A transformação digital da construção civil depende, sobretudo, da colaboração entre construtoras tradicionais e construtechs. A ideia das parcerias é unir experiência técnica e inovação tecnológica, criando ecossistemas de inovação com benefícios mútuos: construtoras ganham agilidade e competitividade, enquanto startups ampliam escala e capilaridade.
Um exemplo comum dessa atuação conjunta é o surgimento de hubs de inovação e programas de aceleração corporativa, que fomentam o desenvolvimento de soluções conjuntas. Nesse contexto, algumas das tendências para essa inovação contínua são:
- Aplicação da IA generativa na construção no planejamento e controle de obras;
- Uso de digital twins para simular projetos e impactos no orçamento e cronograma, reproduzindo uma prática da indústria 4.0;
- Construções modulares e impressas em 3D, que oferecem soluções para problemas antes considerados complexos;
- Smart cities, conectando os empreendimentos à uma infraestrutura conectada entre si, combinando ainda eficiência energética e gestão inteligente de resíduos.
O futuro da construção passa pela tecnologia
A redefinição do modo de construir, gerir e habitar envolve necessariamente a figura da construtech. Mais do que startups especializadas para o setor, elas representam uma mudança de mentalidade, que coloca a tecnologia como pilar da produtividade, transparência e sustentabilidade na construção civil, um setor que ainda tem muito a avançar em termos de digitalização.
Para construtoras e incorporadoras, o momento é de entender e de abraçar a inovação, seja por meio de parcerias, investimentos ou pela adoção de sistemas de gestão especializados.