Segmento de construção está em vias de viver a sua própria revolução, integrando dados digitais no planejamento e execução de projetos.
A automação na construção civil consiste no uso de tecnologias para executar tarefas com menor intervenção manual, integrar informações e apoiar o controle dos processos. Sua aplicação abrange tanto as rotinas administrativas quanto o acompanhamento e a execução das obras.
O mercado de equipamentos autônomos para construção projeta um crescimento de 9,6% ao ano entre 2024 e 2030, saindo de US$ 12,7 bilhões em 2023 para US$ 23,9 bilhões em 2030. Os dados da Grand View Research apontam para uma grande evolução que se desenha para os próximos anos neste cenário.
A transformação digital avança na construção civil, assim como ocorreu em outros setores, a exemplo da indústria 4.0 e do agro. Assim como em outras áreas, a automação na construção civil pode combinar diferentes tecnologias: IA generativa, BIM, Internet das Coisas (IoT), sensores inteligentes e máquinas autônomas.
O verdadeiro desafio está em conectar todos esses dados, fazendo com que tarefas e atividades vistas isoladamente sejam integradas em um sistema de gestão.
Como a automação na construção civil funciona na prática?
A aplicação depende dos processos e das necessidades de cada empresa. Na gestão, pode envolver fluxos de aprovação de compras e atualização de informações entre áreas. No canteiro, sensores podem coletar dados de equipamentos, enquanto máquinas automatizadas executam atividades específicas.
As tecnologias citadas cumprem papéis diferentes nesse contexto:
BIM no planejamento e na compatibilização de projetos
O BIM organiza informações do empreendimento em modelos digitais, apoiando o planejamento e a compatibilização de projetos. Isso ajuda as equipes a identificar interferências e avaliar alterações antes da execução, reduzindo o risco de retrabalho.
Sua contribuição para a automação depende da integração com ferramentas e processos que utilizam essas informações.
IoT e sensores no monitoramento do canteiro
Dispositivos conectados permitem acompanhar condições de equipamentos e do ambiente, reduzindo a necessidade de algumas verificações manuais. Os dados coletados podem alimentar controles e gerar alertas conforme critérios definidos, ajudando a equipe a identificar situações que exigem atenção.
Inteligência artificial na análise de informações
A inteligência artificial pode apoiar a análise de dados e a elaboração de documentos, conforme a aplicação adotada. Na rotina das obras, isso pode facilitar a consulta a informações e a preparação de relatórios.
Os resultados precisam de revisão profissional, considerando a qualidade dos dados e o contexto do empreendimento.
Máquinas autônomas na execução de atividades
Máquinas autônomas podem executar tarefas específicas com diferentes níveis de supervisão humana. Sua aplicação pode reduzir a exposição dos profissionais a determinadas atividades perigosas ou repetitivas, mas exige planejamento, condições adequadas de operação e equipes capacitadas.
Digitalizar uma informação, porém, não significa automatizar um processo. O avanço acontece quando esses dados passam a alimentar fluxos, controles e ações, reduzindo etapas manuais.
Quais os benefícios da automação na construção civil?
Na rotina de construtoras e incorporadoras, estamos falando de uma revolução nos processos e nas rotinas diárias. Mas o que isso significa de fato?
- Aumento de produtividade: é possível aprimorar o desempenho, especialmente com a digitalização do canteiro de obras.
- Aumento de precisão: ao fazer o planejamento de projetos com o uso do BIM, é possível aprimorar o orçamento de obras e o cronograma. As simulações propostas pela tecnologia permitem estudar o impacto de modificações no estudo de viabilidade.
- Redução de custos: é possível também alinhar melhor a chegada de insumos e adequar a execução aos estudos iniciais. A diminuição de gastos é também reflexo da queda de desperdícios e menor necessidade de retrabalho.
- Mais segurança: as operações podem se tornar mais seguras. É possível usar drones e outros equipamentos em tarefas consideradas inseguras. Além disso, soluções de software, como um checklist de segurança no trabalho, ajudam a desenvolver uma cultura voltada à prevenção.
- Diminuição do tempo de execução: melhor planejamento ainda pode contribuir para reduzir atrasos e concluir projetos dentro do prazo. E, na prática, menor tempo de execução é sinal de uma melhor aplicação dos ativos disponíveis. Em alguns casos, pensa-se, inclusive, em novas tecnologias ou processos, caso da construção industrializada e impressão 3D.
Todas essas tecnologias somadas a sistemas de gestão buscam que a visibilidade da indústria 4.0 seja transportada para o contexto da construção civil.
É possível, portanto, de forma simultânea, fazer a automação de processos produtivos e relacionados ao canteiro de obras e de áreas administrativas, incluindo as questões fiscais e tributárias específicas.
Isso significa conciliar a compra de insumos e o controle de estoque associado ao uso durante a execução do projeto. Dessa forma, viabiliza-se automatizar e integrar diferentes rotinas administrativas e produtivas.
Desafios para adoção da automação na construção civil
Uma pesquisa do Fórum Econômico Mundial trouxe quatro pontos listados como barreiras para a automação na construção civil. A começar por 45% dos entrevistados, que alegaram que, no curto prazo, o ganho financeiro era limitado para o investimento nessas novas tecnologias. Por isso, a avaliação precisa considerar também os resultados esperados no médio e longo prazo.
Na sequência, 36% afirmaram que não dispõem dos recursos financeiros destinados à inovação necessária ao canteiro de obras. Nesse cenário, priorizar processos e iniciar com aplicações de menor escopo pode ajudar a distribuir o investimento.
Pouco mais de um terço (34%) respondeu que a adoção lenta se devia à falta de mão de obra suficientemente qualificada. Ou seja, além do investimento na tecnologia, há a necessidade de aportar recursos no treinamento e na capacitação dos colaboradores.
E, por fim, 28% alegaram que a barreira tecnológica era decorrente do desconhecimento sobre as novas tecnologias. De forma gradativa, dados sobre o uso e os benefícios das tecnologias para automação na construção civil estão se disseminando.
Como começar a implementar a automação na construção civil?
O primeiro passo é identificar tarefas repetitivas, falhas de comunicação e controles manuais que afetam o andamento das obras. Com esse diagnóstico, a empresa pode escolher uma aplicação prioritária e definir o resultado esperado.
Para conduzir a implementação, vale seguir algumas etapas:
- Mapear o processo: entender como a atividade funciona e onde ocorrem atrasos, erros ou retrabalho.
- Definir uma prioridade: selecionar uma rotina com impacto relevante e possibilidade de acompanhar os resultados.
- Avaliar a integração: verificar como a tecnologia se conecta aos sistemas e às informações já utilizados pela empresa.
- Capacitar a equipe: preparar os profissionais para usar os recursos e acompanhar seu funcionamento.
- Medir os resultados: comparar os indicadores antes e depois da adoção para orientar ajustes e novas aplicações.
Quais indicadores acompanhar para avaliar a automação na construção civil?
Assim como outros aportes e investimentos, é importante fazer o acompanhamento de indicadores operacionais e financeiros para avaliar o retorno da automação na construção civil. Cada construtora ou incorporadora apresenta particularidades em seus projetos, mas alguns parâmetros podem ser usados:
- Produtividade da mão de obra – o foco está em avaliar a área construída por hora trabalhada antes e depois de inserir tecnologias para a gestão do canteiro de obras.
- Tempo de execução de atividades – entender como a tecnologia modifica o tempo médio de atividade, especialmente as repetitivas. É possível perceber, neste caso, como as máquinas estão otimizando o cronograma.
- Índice de retrabalho – o objetivo está em avaliar como a automação modifica os padrões de qualidade e a necessidade de retrabalho.
- Custo real vs. orçado – ao levar em consideração o orçamento inicial, a automação na construção civil permite comparar os valores previstos com os realizados, conforme a atualização e a integração dos dados.
- Uso de equipamentos – este índice visa medir o tempo ocioso de máquinas automatizadas, avaliando a eficiência no campo. É especialmente importante em obras de grande porte, nas quais há dependência de maquinário específico.
- ROI em tecnologia – a intenção é identificar qual é o retorno efetivo do investimento em automação na construção civil, avaliando produtividade, custo e tempo.
Para que a comparação seja útil, é importante considerar atividades e condições semelhantes, além de incluir os custos de implantação, manutenção e capacitação na avaliação do investimento.
A automação na construção civil substitui a mão de obra humana?
Essa é uma pergunta recorrente e que ocorre em outros segmentos, em especial a logística e a indústria. A automação pode substituir determinadas tarefas, mas seus efeitos sobre os profissionais variam conforme a atividade e a tecnologia adotada. O que realmente acontece com a incorporação de tecnologias é uma mudança nas rotinas operacionais.
Máquinas e dispositivos especializados tendem a fazer uma substituição parcial de tarefas repetitivas, perigosas ou de baixa complexidade. Nessas atividades, os equipamentos podem ampliar a produtividade, enquanto as equipes se dedicam a outras funções, inclusive de planejamento e avaliação.
Em diferentes aplicações, a automação na construção civil representa a complementaridade: ou seja, uma atuação conjunta da força humana e dos dispositivos. Enquanto os sensores e drones coletam os dados, os analistas avaliam estes resultados.
Essa mudança também exige requalificação profissional. Com a incorporação de novas tecnologias, as equipes precisam se preparar para operar equipamentos, interpretar informações e acompanhar os processos automatizados.
Como as soluções da Senior apoiam a automação na construção civil?
A automação na construção civil também passa pelas rotinas de gestão. Conectar as informações do canteiro às áreas administrativas ajuda a reduzir controles manuais e manter as equipes alinhadas sobre o andamento de cada empreendimento.
As soluções da Senior para construtoras e incorporadoras apoiam essa integração, conectando processos de planejamento, compras, custos e gestão financeira. Com as informações organizadas, fica mais fácil acompanhar o previsto e o realizado, identificar desvios e tomar decisões durante a execução das obras.
Assim, a tecnologia vai além da automatização de tarefas isoladas, contribui para uma gestão integrada, com mais controle sobre os recursos e as necessidades de cada projeto.
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