Encerrar o ciclo de um colaborador é um momento delicado, que exige tato, empatia e profissionalismo.
A forma como uma empresa conduz essa transição revela muito sobre sua cultura organizacional e seu compromisso com a gestão de pessoas.
Por isso, a entrevista de desligamento é uma ferramenta essencial do processo de offboarding, possibilitando que o RH transforme o fim de um vínculo em uma oportunidade de aprendizado e melhoria contínua.
Na sequência deste artigo, você vai entender o que é a entrevista de desligamento, por que ela é importante, como aplicá-la, e ainda conferir um modelo com perguntas práticas para aplicar na sua empresa.
O que é a entrevista de desligamento?
A entrevista de desligamento é uma conversa estruturada entre o profissional que está deixando a empresa e o time de RH com o objetivo de compreender os motivos da saída e colher percepções sobre o ambiente de trabalho, a gestão e a cultura organizacional.
Esse processo faz parte do processo de offboarding: ou seja, da jornada de saída do colaborador, assumindo papel fundamental para garantir uma demissão humanizada e rica em aprendizados na perspectiva da organização.
Quando bem planejada, a entrevista de desligamento não é apenas uma formalidade, mas é uma ferramenta estratégica que oferece insights sobre clima, turnover, retenção de colaboradores e até sinais de problemas silenciosos e quase imperceptíveis, como burnout, boreout ou quiet quitting.
Por que fazer a entrevista de desligamento?
Realizar a entrevista de desligamento é importante porque ela fecha o ciclo do colaborador dentro da empresa e contribui para a inteligência de dados e percepções do RH. Essa etapa ajuda a compreender o que levou ao desligamento, independentemente se foi uma decisão voluntária ou não, e oferece elementos concretos para aprimorar processos internos e reter talentos no futuro.
Conduzir a entrevista ainda demonstra respeito e consideração pelo profissional. Ao reconhecer o esforço e tempo dedicado pelo agora ex-colaborador, a empresa também fortalece o employer branding.
Outros motivos para aplicar entrevistas de desligamento incluem:
- Obter feedbacks sinceros e genuínos sobre a liderança, o ambiente e a cultura;
- Identificar causas de turnover e propor planos de ação;
- Detectar falhas em processos de avaliação de desempenho e de gestão;
- Mapear percepções sobre remuneração e benefícios;
- Comparar pesquisas de clima organizacional e indicadores de turnover.
Benefícios de aplicar uma entrevista de desligamento
Apesar de se tratar de um momento sensível, a entrevista de desligamento oferece benefícios valiosos, em especial para a organização, como promover uma cultura de feeback como instrumento de crescimento, a evitar ruídos que poderiam surgir após a saída do colaborador e outras vantagens, como:
Identificação de pontos de melhoria
Uma das maiores vantagens é a possibilidade de mapear falhas e oportunidades de aprimoramento na gestão. A entrevista possibilita que o colaborador fale com mais liberdade sobre aspectos que, muitas vezes, não são mencionados no dia a dia, como lacunas na comunicação, falta de clareza nas metas, sobrecarga de tarefas ou problemas de relacionamento com a liderança.
Essa escuta direta oferece uma visão genuína sobre os fatores que podem estar contribuindo para a insatisfação e saída de pessoas. Dessa forma, o RH pode agir de forma preventiva e estratégica, ajustando práticas e políticas para fortalecer o employee engement e reduzir a rotatividade.
Humanização do processo
Conduzir a entrevista de desligamento de forma empática e acolhedora demonstra respeito e cuidado com o colaborador, mesmo no momento da despedida. Esse gesto reforça a imagem da empresa como um lugar que valoriza o diálogo e o bem-estar das pessoas, do início ao fim da jornada.
Quando o profissional sente que sua opinião é ouvida e tratada com seriedade, ele tende a sair com uma percepção mais positiva, o que pode refletir inclusive em sua recomendação da marca empregadora para outros profissionais.
Redução da taxa de turnover
Os aprendizados gerados por essas conversas são essenciais para atacar as causas do turnover. Ao identificar padrões nas saídas, como insatisfação com a liderança, falta de oportunidades de crescimento, ausência de reconhecimento ou problemas estruturais, o RH ganha informações valiosas para corrigir o que está levando à perda de talentos.
Isso contribui diretamente para a redução dos custos com novas contratações e treinamentos, além de ajudar a manter equipes mais estáveis e produtivas.
Documentação
Registrar e organizar as informações obtidas nas entrevistas de desligamento é fundamental. Essa documentação cria um histórico confiável, que pode ser analisado de forma integrada com outros indicadores.
Com esses dados, o RH consegue gerar relatórios mais completos e tomar decisões baseadas em evidências. Com o tempo, essa base de informações se torna um verdadeiro termômetro da eficácia das práticas de gestão de pessoas.
Como fazer a entrevista de desligamento?
Para fazer a entrevista de desligamento, o profissional de RH precisa de preparo, empatia e metodologia. O ideal é que ela seja conduzida em um ambiente reservado e acolhedor, para que o colaborador se sinta à vontade em compartilhar percepções. O processo pode ser dividido em etapas:
1. Planejamento da entrevista
Definir quem será o responsável pela condução é essencial, de preferência um profissional de RH que não esteja diretamente envolvido em potenciais conflitos ou sem relação hierárquica com o colaborador. Isso garante um ambiente mais neutro e acolhedor.
É importante ainda escolher o momento ideal: o encontro deve ocorrer antes do último dia de trabalho, quando o colaborador ainda está disponível e emocionalmente presente para compartilhar suas percepções. Na sequência, siga um roteiro com perguntas que orientem a conversa, equilibrando objetividade e sensibilidade.
Esse roteiro ajuda a manter o foco nas informações relevantes, como motivos da saída, experiências com liderança, oportunidades de desenvolvimento e sugestões de melhoria, sem transformar o diálogo em um interrogatório. Lembre-se: o tom deve ser sempre humano, respeitoso e construtivo.
2. Acolhimento e contexto
Antes de iniciar as perguntas, explique o propósito da entrevista de desligamento. O colaborador precisa entender que a conversa não tem caráter punitivo nem servirá para julgar comportamentos, mas serve para coletar feedbacks honestos e identificar oportunidades de evolução para a empresa.
Esse acolhimento inicial ajuda a criar um clima de confiança, fundamental para que as respostas sejam genuínas e profundas. É interessante também garantir um ambiente reservado e tranquilo, sem interrupções ou pressa, para que o profissional se sinta confortável em compartilhar suas experiências.
Pequenos gestos de cuidado, como oferecer água, agradecer pela disponibilidade e demonstrar escuta atenta, fazem toda a diferença.
3. Condução com empatia
Durante a entrevista, o foco deve ser na escuta ativa. O entrevistador deve evitar interromper, fazer julgamentos ou tentar justificar eventuais críticas. Em vez disso, é importante fazer perguntas abertas que incentivem o colaborador a refletir e se expressar livremente, como:
- Como você descreveria sua experiência na empresa?
- O que mais pesou na sua decisão de sair?
- Há algo que poderíamos ter feito diferente para você permanecer?
O foco está mais na qualidade das respostas do que em obter dados precisos.Por isso, a empatia aqui é uma ferramenta poderosa: demonstra respeito pela trajetória do colaborador e abre espaço para que ele se sinta valorizado ainda que em sua despedida.
4. Registro das informações
Registrar corretamente as respostas é uma etapa crucial para transformar a entrevista em inteligência. Todas as informações devem ser documentadas com cuidado, sempre respeitando a confidencialidade do colaborador.
O ideal é utilizar um sistema de RH integrado, com funcionalidades que permite centralizar os dados, cruzá-los com outros indicadores de RH, como avaliação de competências, clima organizacional e taxa de rotatividade, e gerar relatórios analíticos.
Essa integração ajuda a transformar percepções individuais em insights coletivos, capazes de orientar decisões mais embasadas sobre liderança, engajamento, reconhecimento e políticas internas.
5. Encerramento
O encerramento da entrevista é tão importante quanto o início. Ao final, agradeça sinceramente ao colaborador pela disponibilidade e pelas contribuições que trouxe à empresa. Reforce que os feedbacks serão considerados com seriedade e que a organização está comprometida em aprender com essa escuta.
Desejar sucesso no novo ciclo profissional também é uma forma de reforçar a imagem do negócio como uma instituição ética e madura. Essa postura contribui para manter uma boa relação pós-desligamento, o que pode abrir portas para uma futura recontratação.
Modelo de entrevista de desligamento
Não existe um modelo de entrevista de desligamento único, já que cada empresa possui sua cultura e seus motivos de desligamento são distintos. No entanto, é possível adotar um roteiro em fases para padronizar o processo e garantir que todos os pontos importantes sejam abordados.
Comece com um momento de acolhimento, explicando o objetivo da entrevista e garantindo confidencialidade. Avance para uma fase exploratória, com perguntas preferencialmente abertas sobre a experiência na empresa, o relacionamento com a liderança e os motivos da saída.
Entre em uma fase analítica, na qual o RH pode investigar aspectos de clima, cultura, gestão de remuneração, benefícios corporativos e oportunidades de desenvolvimento.
Finalize com um encerramento positivo, agradecendo e reforçando a importância da contribuição do colaborador para o negócio.
O que perguntar na entrevista de desligamento?
Essa é uma dúvida comum entre os profissionais de RH, já que as questões devem equilibrar objetividade e sensibilidade. O ideal é adotar um tom neutro, sem julgamentos, e incentivar um diálogo aberto. Quanto maior a disposição do profissional e as informações qualitativas e quantitativas obtidas, mais estratégica para o RH se torna esta etapa.
15 perguntas para a entrevista de desligamento
- O que motivou sua decisão de deixar a empresa?
- Como você descreveria o ambiente de trabalho?
- O que mais te motivava no dia a dia?
- Quais aspectos afetaram a sua motivação?
- Como era seu relacionamento com sua liderança direta?
- Você sentia que suas ideias e sugestões de melhoria eram ouvidas?
- Como avalia as oportunidades de crescimento interno?
- A comunicação interna era clara e eficiente?
- Como avalia a política de remuneração e benefícios?
- Você sentia que seu trabalho era reconhecido?
- A carga de trabalho era equilibrada?
- Houve desequilíbrio na balança qualidade de vida e volume de trabalho?
- O que poderia ter feito você permanecer na empresa?
- Você recomendaria a empresa para outras pessoas?
- Há algo que gostaria de acrescentar antes de encerrar?
Erros comuns em entrevistas de desligamento
Há erros comuns que são cometidos em entrevistas de desligamento. Estar atento a eles é essencial para garantir um processo humanizado e ético. Entre os principais, destaque para:
Despreparo do entrevistador
Esta é uma das falhas mais recorrentes e também uma das mais prejudiciais. Um entrevistador sem treinamento pode perder o foco, fazer perguntas inadequadas ou adotar um tom defensivo diante de críticas. Isso compromete a qualidade das informações coletadas e mina a credibilidade da entrevista de desligamento.
É essencial que o responsável pela condução, portanto, esteja bem orientado sobre o objetivo do processo, domine técnicas de escuta ativa, siga o roteiro prévio e saiba manter a conversa equilibrada, mesmo em situações delicadas. O entrevistador também precisa ter clareza sobre os limites éticos e emocionais da entrevista, garantindo que ela se mantenha profissional e construtiva.
Envolvimento de questões pessoais
A entrevista de desligamento deve se restringir a temas profissionais, como ambiente de trabalho, comunicação, relacionamento com lideranças e oportunidades de crescimento. Quando o diálogo deriva para o campo pessoal, há o risco de gerar constrangimentos e distorções que invalidam as respostas.
Perguntas sobre a vida privada, preferências pessoais ou opiniões sobre colegas devem ser evitadas. O foco é entender as causas organizacionais e estruturais da saída, e não explorar a intimidade do colaborador. Manter esse limite é fundamental para preservar o respeito e a confiança entre as partes.
Contrapropostas e negociações para permanecer na empresa
Embora seja tentador tentar reter um talento no momento do desligamento, a entrevista não deve ser usada para reverter a decisão do colaborador. Fazer contrapropostas ou iniciar negociações de permanência transmite uma mensagem confusa e pode gerar a sensação de manipulação.
Essa atitude ainda enfraquece a credibilidade do processo, que deve ser voltado à escuta e ao aprendizado, não à persuasão. Caso a empresa identifique um colaborador valioso prestes a sair, o ideal é agir antes, com práticas contínuas de engajamento, feedbacks e conversas one-on-one.
Falta de sensibilidade com o momento
É comum que o profissional esteja fragilizado, seja por frustração, insegurança ou cansaço. Um tom frio, distante ou excessivamente técnico pode intensificar sentimentos negativos e comprometer a eficiência da entrevista.
O entrevistador deve demonstrar acolhimento desde o início, com uma escuta genuína e postura respeitosa. Isso não significa tornar a conversa emocional, mas reconhecer que se trata de um momento de transição, que merece cuidado e atenção. Essa sensibilidade reforça a cultura de respeito com as pessoas.
Vazamento de dados e informações da entrevista
A confidencialidade é um pilar da entrevista de desligamento. Todas as respostas devem ser tratadas com sigilo e aplicadas exclusivamente para fins de melhoria interna. O compartilhamento indevido de informações, mesmo que de maneira informal, pode comprometer a confiança dos colaboradores no RH e gerar consequências éticas e jurídicas.
Empresas maduras mantêm registros centralizados e protegidos, garantindo rastreabilidade e segurança. Esse cuidado reforça o compromisso com a privacidade e assegura que os dados coletados contribuam para diagnósticos organizacionais sérios.
O que fazer com as informações da entrevista de desligamento?
Uma boa entrevista de desligamento gera dados quantitativos e qualitativos que carecem de análise. Por isso, essas informações devem ser integradas a outros indicadores de RH. Esse cruzamento de dados possibilita uma leitura mais ampla sobre engajamento, retenção e outros aspectos.
Se várias entrevistas apontam falta de reconhecimento como motivo de saída e as avaliações de resultados mostram queda na performance em determinadas áreas, o RH pode investigar se há falhas na liderança ou na política de incentivos.
Com o HCM da Senior, essas informações podem ser registradas, comparadas e analisadas em conjunto com outros indicadores de pessoas com mais facilidade.
Perguntas frequentes sobre entrevista de desligamento
Por ser um tema sensível, todo o cuidado é pouco com este processo. Por isso, é comum que a entrevista de desligamento esteja carregada de dúvidas. Algumas das mais comuns são:
A entrevista de desligamento é obrigatória?
Não. A entrevista de desligamento não é exigida por lei, mas é amplamente recomendada como uma boa prática de RH e de gestão humanizada. Quando bem conduzida, ela ajuda a identificar falhas de processos, liderança e clima organizacional, além de gerar insumos valiosos para reduzir o turnover e aprimorar a experiência dos colaboradores.
Quem deve participar da entrevista de desligamento?
Em geral, a entrevista de desligamento deve ser conduzida pelo profissional de RH responsável pelo processo de offboarding, garantindo neutralidade e confidencialidade. Em alguns casos, o gestor direto também pode participar, desde que exista um bom nível de confiança e que a presença não iniba o colaborador de compartilhar feedbacks honestos.
Qual é a duração de uma entrevista de desligamento?
O ideal é que a entrevista de desligamento dure entre 20 e 40 minutos, tempo suficiente para conduzir uma conversa estruturada e aprofundar os principais pontos. Esse intervalo permite coletar feedbacks relevantes sem tornar o processo cansativo ou desconfortável para o colaborador.
Como finalizar a entrevista de desligamento?
Ao encerrar a entrevista de desligamento, agradeça a sinceridade e o tempo dedicado pelo colaborador, reforçando que as informações compartilhadas serão tratadas com confidencialidade. Finalize desejando sucesso na próxima etapa da carreira, garantindo um fechamento respeitoso, humano e alinhado à imagem da empresa.
Como fazer uma entrevista de desligamento remota?
A entrevista de desligamento remota deve seguir o mesmo roteiro e estrutura de uma conversa presencial, garantindo organização e clareza nos temas abordados. É fundamental que o profissional de RH esteja em um ambiente reservado e sem interrupções, criando um espaço seguro para que o colaborador se sinta à vontade para se expressar de forma genuína.
E se a entrevista de desligamento acabar mal?
Caso a conversa evolua para um clima de conflito ou emoção intensa, o profissional de RH deve manter a postura, preservar o respeito e encerrar a entrevista de forma objetiva. O ideal é registrar o ocorrido internamente e evitar qualquer tipo de confronto, priorizando a integridade do processo e das pessoas envolvidas.
Qual é o papel da tecnologia na entrevista de desligamento?
Com todas as possibilidades obtidas a partir de uma entrevista de desligamento, a tecnologia assume um papel necessário neste processo. Sistemas de RH integrados, como o da Senior contribuem para documentar e integrar as informações das entrevistas com outros dados de RH.
Com o HCM da Senior, é possível centralizar todos os registros, cruzar informações de clima organizacional, de feedbacks, de avaliações de desempenho, e relacionadas à remuneração e aos benefícios, gerando relatórios que ajudam a entender as causas de desligamentos e definir estratégias de retenção de colaboradores para o futuro.
Empatia e aprendizado organizacional caminham juntos
A entrevista de desligamento é uma ferramenta estratégica de aprendizado organizacional. Ela transforma um momento delicado em uma oportunidade real de crescimento para o RH e para a empresa. A partir dessa escuta estruturada, é possível identificar padrões de insatisfação, gargalos de gestão e outros aspectos.
Esta fase final do desligamento ajuda a entender como melhorar o ambiente para aqueles que ficam.
Com o apoio da tecnologia, especialmente do HCM da Senior, o RH pode documentar, analisar e cruzar esses dados com outros indicadores, obtendo um panorama mais completo sobre o negócio. Solicite uma demonstração gratuita!

