Tratamento de sementes: o que é, tipos e legislação

Entenda a importância deste processo, considerado um dos alicerces para garantir uma produção de qualidade e no volume planejado pelo agronegócio e pelas cooperativas.

A próxima safra do Brasil tem uma projeção de 360,8 milhões de toneladas, um aumento de 2,4% em relação ao ano anterior, conforme os dados da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab). Atingir este resultado depende de inúmeras variáveis que estão tanto no controle do agronegócio e das cooperativas agrícolas, caso do tratamento de sementes, quanto causas externas, a exemplo do clima. 

Independentemente da cultura escolhida, as janelas de semeaduras costumam ser curtas e também carregam um dos maiores riscos do negócio. Afinal de contas, o período de germinação faz com que as plantas estejam mais vulneráveis a fungos e a pragas. Por isso, o tratamento de sementes é uma das primeiras e principais barreiras de proteção, sendo determinante para o resultado final da lavoura. 

Dentro da legislação de sementes, existem diversos tipos que podem ser escolhidos pelos produtores rurais – genéticas, básicas, certificadas e de uso próprio. Cada uma delas oferece vantagens que precisam ser analisadas de forma específica pelos gestores. 

O que é o tratamento de sementes? 

O tratamento de sementes se trata da aplicação de produtos químicos ou biológicos diretamente nas sementes, com a intenção de minimizar, controlar ou afastar patógenos, insetos e outras pragas. Em um manejo integrado de doenças, esta fase assegura o estabelecimento das plantas e garante o sucesso de sua fase inicial de desenvolvimento. 

Para isso, é possível aplicar dentro ou sobre as sementes diversos tipos de produtos, seguindo um receituário agronômico. A escolha por fungicidas, inseticidas, repelentes, aditivos ou melhoramentos dependem de diversos fatores inerentes às sementes e também externos, pois visam controlar dados causados por pragas, doenças e condições desfavoráveis de solo e clima. 

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Quais são os tipos de tratamento de sementes? 

Existem metodologias distintas que podem ser aplicadas por produtores rurais ou cooperativas agrícolas para assegurar o sucesso desta fase inicial das lavouras. De maneira geral, é possível dividir em dois principais métodos: 

  • Tratamento de sementes on farm: como a tradução do próprio termo em inglês sugere, trata-se do processo realizado na propriedade, com equipamentos específicos e orientação e acompanhamento de um responsável técnico. 
  • Tratamento de sementes industrial (TSI): ocorre antes de o insumo chegar ao campo. Seu principal diferencial é o fato de, ao ocorrer em ambiente controlado, assegurar um maior controle sobre os produtos aplicados e a padronização das sementes. 

Por que o tratamento de sementes é importante? 

O tratamento de sementes é uma das fases do manejo fitossanitário da lavoura. Por estar no início do ciclo da lavoura, não pode ser negligenciado, já que os erros nesta fase, muitas vezes, não podem ser corrigidos.  

Contar com um bom planejamento e fazer uma boa gestão da aplicação de insumos agrícolas gera vantagens produtivas e econômicas. A começar pela proteção da semente e das plântulas na fase inicial, o que permite que o planejamento da propriedade em relação à safra seja cumprido sem quebras ou desperdícios e minimiza os riscos de fixação da lavoura. 

Um segundo fator econômico e produtivo simultaneamente é o controle dos danos causados por patógenos e pragas, o que limita a necessidade de aplicação de defensivos agrícolas e diminui os custos produtivos da propriedade, preservando o potencial de germinação e de vigor das plantas. 

Na perspectiva de comercialização de produtos agrícolas, o tratamento de sementes assegura safras mais uniformes. Com isso, facilita-se a obtenção de valores mais lucrativos para a safra, especialmente no contexto das commodities agrícolas, cujo valor de mercado segue critérios e aspectos bem definidos.  

Leia também: Planejamento de safra: quando começar e como fazer?

Quais produtos são usados no tratamento? 

Um tratamento de sementes efetivo combina diferentes categorias de insumos, que agregam algum tipo de benefício ou protegem a planta de ameaças distintas.

A combinação adequada depende da cultura, região, histórico e outros fatores. Alguns dos principais tratamentos incluem: 

Fungicidas (controle de patógenos de solo) 

Atuam sobre fungos presentes no solo ou na própria semente, prevenindo doenças como tombamento, podridões radiculares e outras infecções que comprometam a germinação. Por agir logo nas primeiras semanas após o plantio, é um dos tratamentos mais adotados contra a desinfecção e a desinfestação. 

Inseticidas (proteção contra pragas iniciais) 

Formam uma barreira de proteção contra insetos-praga que atacam nos estágios iniciais de desenvolvimento, como cupins, corós e pulgões. Isso reduz a necessidade de pulverizações complementares após a semeadura e ajuda a preservar o estande de plantas. Também costuma oferecer ação prolongada, melhorando o vigor das plantas. 

Inoculantes (microorganismos benéficos) 

Apresentam uma função biológica em um manejo sustentável de pragas, já que introduzem microrganismos benéficos, como bactérias fixadoras de nitrogênio, que se associam às raízes da planta.

Essa relação simbiótica melhora a absorção de nutrientes, reduz a dependência de fertilizantes nitrogenados e é amplamente utilizada em culturas como a soja. 

Micronutrientes e polímeros de recobrimento 

Os micronutrientes fornecem elementos essenciais à semente, favorecendo seu desenvolvimento inicial. Já os polímeros de recobrimento, por outro lado, ajudam a fixar os demais produtos à superfície da semente, melhorando a aderência, facilitando o manuseio e a semeadura mecanizada. 

Quais são as exigências legais para a comercialização dos defensivos usados no tratamento de sementes? 

Em uma lavoura, o tratamento de sementes não pode ser feito de maneira indiscriminada. Há alguns cuidados a serem seguidos: 

  • Nova legislação dos defensivos agrícolas: a Lei Federal nº 14.785/2023 regulamenta o uso desses produtos em todo solo nacional. 
  • Receituário agronômico: trata-se de um documento técnico obrigatório que autoriza e orienta o uso correto de agrotóxicos e de insumos agrícolas. Ele é emitido por engenheiro agrônomo ou florestal. 
  • ART: a Anotação de Responsabilidade Técnica dá validade jurídica às recomendações desses profissionais, sendo necessária para a assinatura digital do receituário agronômico. 
  • Rastreabilidade no agronegócio: o registro dos produtos usados dá segurança para a comercialização futura dos produtos agrícolas, especialmente em um período de aumento de exigências de compliance no agro e de qualidade por parte dos parceiros comerciais. 

Como o Receituário Agronômico Senior facilita a venda de defensivos? 

Diante de toda a exigência legal em torno do receituário agronômico, cooperativas e revendas de insumos agrícolas devem emitir receitas corretamente, sem atrasos ou comprometimento de rastreabilidade. 

Nossa solução para Receituário Agronômico automatiza a emissão e a assinatura digital dentro do fluxo de venda, eliminando a necessidade de processos manuais e paralelos. No momento da comercialização, o profissional legalmente habilitado prescreve, assina digitalmente e vincula a receita à operação comercial em poucos cliques. 

Estamos falando de conformidade legal sem burocracia adicional para o produtor ou para a equipe de vendas. Na outra ponta, mais agilidade e segurança jurídica, já que todas as informações ficam centralizadas para verificação posterior. Isso reduz inconsistências, evita retrabalho e fortalece a relação de confiança com o produtor rural.  

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