Monitoramento agrícola: como proteger sua lavoura com dados?

Descubra quais são os tipos de acompanhamentos necessários, as tecnologias e o seu impacto nos resultados obtidos no campo

Até 40% da colheita de alimentos é perdida todos os anos devido às pragas e às doenças, de acordo com os dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). A regra do agronegócio brasileiro e de outros países é de uma atuação mais reativa do que planejada, especialmente pela falta de um monitoramento agrícola efetivo.  

A realidade fitossanitária é de que as mudanças climáticas e a globalização estão eliminando as fronteiras, inclusive do ataque de pragas e doenças. Por vezes, as condições climáticas são favoráveis em dois polos opostos do globo, o que exige um olhar atento sobre o manejo rural especializado e focado na preservação dos ativos de um negócio. 

O monitoramento agrícola constante é essencial na detecção precoce para prevenção de perdas e proteção das margens de lucro. Para estruturar esse processo, sistemas para o agronegócio automatizam o sensoriamento remoto e a coleta de dados direto do campo.

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O que é monitoramento agrícola? 

O monitoramento agrícola une práticas e tecnologias para acompanhar a lavoura do plantio à colheita. Com ele, produtores rurais, cooperativas e agroindústrias garantem o cumprimento do planejamento, assegurando máxima eficiência produtiva e operacional.

Este trabalho envolve a coleta de dados sobre solo, clima, desenvolvimento das culturas, presença de pragas e doenças e uso de insumos agrícolas. Quanto mais maduros os processos e a tecnologia para o agro, maior a capacidade de tomar medidas preventivas e preditivas, agindo antes que os problemas gerem prejuízos econômicos ou que eles se escalem. 

O agronegócio evolui para superar a gestão reativa, que só identifica problemas em estágio avançado, gerando correções lentas e prejuízos elevados. Na prática, a falta de uma ferramenta de monitoramento agrícola aumenta os riscos envolvidos, sejam agronômicos, operacionais ou financeiros. 

Quais são os principais tipos de monitoramento agrícola? 

O monitoramento agrícola pode englobar diversos métodos distintos, visando atender a dimensões específicas de uma lavoura. Dentro da busca pelo controle das operações, é importante estabelecer uma lógica complementar, que envolva processos e tecnologia, em especial um ERP para o agronegócio. Entre os diferentes tipos de acompanhamentos, estão: 

Monitoramento fitossanitário e MIP 

É a base de um manejo integrado de pragas (MIP), cuja atuação envolve colher amostragens periódicas dos talhões, aplicar armadilhas com feromônios e fazer registros de densidade populacional. 

A partir desse nível de acompanhamento, consegue-se identificar qual o status da praga na lógica de Nível de Dano Econômico. Com isso, é possível determinar o ponto em que a intervenção se justifica de maneira técnica e financeira. Esse olhar com atenção contínua evita a aplicação desmedida de defensivos, o que, em muitos casos, aumenta a resistência das pragas. 

Monitoramento do solo e da fertilidade 

O sensoriamento especializado permite mapear a fertilidade, pH, matéria orgânica e textura do solo por talhão. Com esses dados, produtores e cooperativas aplicam insumos de forma precisa, atendendo às demandas reais de cada área em vez de trabalhar com estimativas.

Monitoramento climático e hídrico 

Mesmo sendo um desafio complexo, hoje é possível monitorar a temperatura, chuva, umidade e déficit hídrico da propriedade. Sensores e estações meteorológicas coletam esses dados em tempo real, emitindo alertas para uma gestão proativa.

Monitoramento de máquinas e apontamento de campo 

Não é segredo que o agronegócio hoje está cada vez mais próximo de uma indústria 4.0. Nesse contexto, é preciso acompanhar o desempenho do maquinário agrícola em indicadores como consumo, horas trabalhadas e áreas operadas, fazendo apontamentos de campo. Trata-se de uma efetiva digitalização do agronegócio, com o rastreio completo de toda a propriedade. 

As tecnologias que transformam o acompanhamento da lavoura 

A transformação digital no agro, com o aumento da disponibilidade de tecnologias, de sensores especializados e de imagens via satélite, faz com que a agricultura digital seja uma realidade do agronegócio. É a construção desse ecossistema de equipamentos e sistemas de gestão que revoluciona a rotina das equipes de campo e apresenta novas possibilidades aos gestores. 

Imagens de satélite e sensoriamento remoto 

Imagens aéreas auxiliam no desenvolvimento de mapas georreferenciados, que permitem o monitoramento agrícola por satélite de índices de vegetação e identificam variações no desenvolvimento da lavoura por talhão em estágio inicial, como estresse hídrico, deficiências nutricionais e focos de pragas. Muitas dessas percepções são imperceptíveis a olho nu, trazendo novos insights aos tomadores de decisão. 

Imagens aéreas auxiliam na criação de mapas georreferenciados para o monitoramento agrícola por satélite. Essa tecnologia identifica, por talhão e em estágio inicial, variações na lavoura como estresse hídrico, deficiências nutricionais e focos de pragas.

Imagens aéreas auxiliam na criação de mapas georreferenciados para o monitoramento agrícola por satélite. Essa tecnologia identifica, por talhão e em estágio inicial, variações na lavoura como estresse hídrico, deficiências nutricionais e focos de pragas.

Drones na fiscalização da lavoura 

Os drones se tornaram uma realidade da agricultura, especialmente por contarem com câmeras multiespectrais para inspeção aérea de alta resolução. Dessa forma, podem ser usados de forma complementar às imagens, detectando falhas, manchas de doenças e analisando a distribuição dos insumos após a aplicação. 

Sensores de solo e IoT no campo 

Sensores de solo e estações meteorológicas transmitem continuamente os dados aos sistemas de gestão, o que permite acompanhar umidade, PH, índice de nutrientes a todo tempo. Com isso, é possível determinar quais indicadores devem ser monitorados e configurar alertas caso algum parâmetro esteja acima ou abaixo do padrão recomendável. 

Automação agrícola 

Nota-se que todas essas tecnologias têm enorme potencial para transformar a realidade do setor. No entanto, é preciso que esse ecossistema gere, de fato, uma automação agrícola que faça com que os dados do campo fluam para os sistemas de gestão especializados. 

Agronegócio

Como o registro integrado muda a gestão? 

Um monitoramento agrícola requer não apenas a disponibilidade e a confiabilidade de dados, mas a sua real integração. Não basta contar com drones, satélites e maquinário especializado, mas as informações precisam, de fato, ser coletadas e gerar inteligência de dados. Essa é a diferença entre contar com tecnologia e tirar real efetivo dela. 

A realidade de muitas propriedades rurais é tomar decisões com base na intuição por falta de dados integrados por talhão. Para mudar esse cenário, o gestor pode usar o histórico de aplicações e relatórios de campo, o que reforça a importância do monitoramento por satélite para obter imagens e laudos precisos.

Um bom ecossistema é aquele que permite não apenas o acesso a esses dados, mas o seu cruzamento, que gera novos insights e possibilidades de melhorias. É este acompanhamento contínuo que possibilita que os gestores tomem decisões baseada em dados no agro: 

– Qual talhão precisa de intervenção?  

– Qual cultura está abaixo do desempenho planejado inicialmente? 

– O custo de insumos está dentro da projeção inicial? 

Este monitoramento ainda permite comparar safras ao longo do tempo e identificar eventuais padrões que interferem no desempenho de uma safra. 

Como estruturar o monitoramento agrícola na sua propriedade? 

Um monitoramento agrícola é essencial e reduz custo, porém, requer a soma de diversas tecnologias e processos. No entanto, este ecossistema não precisa ser construído com investimentos a serem realizados de uma única vez. Cabe aos gestores entender qual o status tecnológico atual e como cada processo pode ser utilizado para se aderir às soluções de forma gradativa. 

A progressão é importante do ponto de vista financeiro, já que, por vezes, se torna inviável fazer todos os aportes tecnológicos em uma única vez. Ela é fundamental sob a ótica de funcionalidade, já que as ferramentas precisam estar integradas para que se crie um ecossistema operacional. Além disso, existem outras decisões importantes: 

Padronize o registro de dados: esse é um dos fatores cruciais. Aplique formulários digitais ou aplicativos móveis para que todos os apontamentos de campo sigam o mesmo padrão. Não esqueça de treinar as equipes de campo a respeito do uso, critérios e padrões a serem respeitados. 

Defina os talhões e as culturas a monitorar: fazer o zoneamento da propriedade por unidades de manejo é o passo inicial. Os dados coletados precisam ter referência geográfica para gerar valor analítico. 

– Estabeleça frequência de amostragem: no caso de um monitoramento fitossanitário, a frequência varia por cultura e por fase do ciclo. As áreas que demonstram maiores riscos também devem exigir mais atenção, fazendo com que o agrônomo responsável defina um calendário de visitas. 

– Integre os dados ao sistema de gestão: informações do campo não geram valor se não estiverem disponíveis no sistema de gestão, sejam laudos, apontamentos, alertas climáticos e histórico de aplicações. Ao concentrar as informações, evita-se também os silos de dados, que afetam as análises e o monitoramento agrícola. 

Defina critérios de ação: estabeleça os Níveis de Dano Econômico e os gatilhos para cada tipo de intervenção. O próprio sistema pode ser parametrizado para emitir alertas se as condições estiverem abaixo ou acima dos indicadores ou níveis de risco. 

– Analise por safra e melhore o planejamento: ao final de cada ciclo, revise os dados coletados por talhão e compare a produtividade planejada e a alcançada. A partir daí, o trabalho dos gestores é entender em qual fase houve discrepâncias e o que pode ser feito em planejamentos de safra futuros. 

Monitoramento de pragas e receituário agronômico 

O monitoramento fitossanitário gera o diagnóstico, enquanto o receituário agronômico o transforma em autorização para agir. São duas etapas de um mesmo processo e, se forem tratadas de forma separadas, refletem em uma operação reativa e ineficiente. 

Pela Lei Federal nº 14.785/23, qualquer aplicação de defensivo agrícola no Brasil depende de um receituário emitido por engenheiro agrônomo registrado no CREA. Sem esse documento, a recomendação do monitoramento não tem validade legal, mesmo que o diagnóstico técnico esteja correto. 

Como o monitoramento agrícola sustenta a emissão do receituário agronômico? 

A qualidade do receituário depende da qualidade dos dados que chegam até o agrônomo. As informações do campo alimentam justamente os campos que esse documento exige: cultura tratada, estágio de desenvolvimento da planta, praga identificada e histórico de aplicações na área. 

Quando esse fluxo está integrado a um sistema de gestão agrícola, o profissional prescreve o produto com base em dados reais. Na prática, isso reduz a aplicação de defensivos sem necessidade técnica e diminui o risco de inconsistências em fiscalizações, já que o receituário está amparado por um histórico rastreável. 

Soluções que reúnem monitoramento, diagnóstico e emissão digital do receituário, com assinatura eletrônica e armazenamento centralizado, ainda encurtam o intervalo entre identificar o problema no campo e liberar a aplicação do produto. 

Transforme dados do campo em decisões mais estratégicas 

O crescimento do volume de dados se reflete no aumento da complexidade de análises, especialmente se elas dependem de dados manuais. Os apontamentos e outros dados coletados no campo devem ser agrupados junto com outras informações agrícolas, financeiras e operacionais em um sistema especializado para o agronegócio. 

A união entre processos eficientes e tecnologia no agro garante tomadas de decisão mais rápidas e precisas. Essa integração permite comparar safras, analisar a produtividade, controlar custos e ter uma visão completa da operação.  

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