Como calcular e aumentar a capacidade de armazenamento?

A capacidade de armazenamento está diretamente ligada ao custo, à produtividade e à capacidade de uma operação logística acompanhar o crescimento da demanda. Mas avaliar se um armazém tem espaço suficiente não significa apenas olhar para quantos metros quadrados estão disponíveis. 

Um armazém pode estar aparentemente cheio e, ainda assim, ter endereços vazios, estoque mal distribuído, produtos parados ou áreas pouco aproveitadas. Da mesma forma, aumentar a ocupação sem considerar circulação, acessibilidade e produtividade pode criar problemas para a operação. 

Essa análise se torna ainda mais importante em períodos de sazonalidade logística. Segundo CNDL e SPC Brasil, 70% dos consumidores aproveitam a Black Friday para antecipar ao menos parte das compras de Natal. Isso significa que o aumento do volume pode se estender por várias semanas, exigindo capacidade para receber, armazenar, separar e expedir mais produtos. 

Por isso, entender a capacidade de armazenamento é importante não apenas para saber quanto cabe no armazém, mas para avaliar quanto espaço a operação realmente consegue utilizar com segurança e eficiência. 

O que é capacidade de armazenamento? 

A capacidade de armazenamento é a quantidade máxima de produtos, volumes, paletes ou unidades de carga que um armazém consegue acomodar com segurança e eficiência. Esse limite depende não apenas do espaço físico, mas também do layout, dos equipamentos, das características dos produtos e das necessidades de movimentação. 

É importante diferenciar alguns conceitos: 

  • Capacidade total: representa todo o espaço físico disponível no armazém. 
  • Capacidade útil: corresponde à parcela desse espaço que pode efetivamente ser utilizada para armazenar mercadorias, descontando áreas que precisam permanecer livres para circulação, segurança e operação. 
  • Capacidade ocupada: representa a parcela da capacidade útil que está sendo utilizada naquele momento. 

Também existe uma diferença importante entre capacidade física e capacidade operacional. A capacidade física considera quanto espaço existe. Já a capacidade operacional considera quanto desse espaço pode ser utilizado sem comprometer corredores, docas, equipamentos, segurança, acesso aos produtos e produtividade. 

Por isso, dois armazéns com a mesma área construída podem ter capacidades de armazenamento muito diferentes. 

Como calcular a capacidade de armazenamento? 

Não existe uma única unidade adequada para medir a capacidade de todos os armazéns. Dependendo da operação, ela pode ser expressa em metros cúbicos, posições-palete, caixas, toneladas ou unidades de carga. 

O cálculo precisa considerar o tipo de produto, o sistema de armazenagem utilizado e a forma como o espaço está organizado. 

Calcule o volume útil 

Uma forma de começar é calcular o volume efetivamente disponível para armazenagem: 

Capacidade volumétrica = área útil de armazenagem × altura útil 

A área útil deve excluir espaços que não podem receber mercadorias, como escritórios, banheiros, docas, corredores, áreas de segurança e outras áreas operacionais. 

Já a altura útil deve considerar a menor obstrução existente e os limites operacionais das estruturas e equipamentos utilizados na armazenagem. 

Por exemplo: imagine um armazém com 1.000 m² de área total, dos quais 700 m² são destinados ao estoque. Considerando uma altura útil de 8 metros, a capacidade volumétrica será: 

700 m² × 8 m = 5.600 m³ 

Esse resultado representa o volume útil disponível para armazenamento. Ele não significa, por si só, que o armazém poderá receber qualquer quantidade de produtos correspondente a 5.600 m³. 

Converta o espaço em posições ou unidades de carga 

O volume em metros cúbicos ajuda a dimensionar o espaço, mas não informa sozinho quantos produtos podem ser armazenados. 

Para chegar a uma capacidade mais próxima da realidade operacional, é necessário considerar dimensões e peso das cargas, possibilidade de empilhamento, tipo de palete, estruturas de armazenagem e capacidade dos equipamentos de movimentação. 

Em uma operação paletizada, por exemplo, pode ser mais útil trabalhar com posições-palete disponíveis do que apenas com metros cúbicos. 

Essa medida permite relacionar diretamente o espaço disponível à configuração física do armazém e acompanhar quanto da capacidade pode ser utilizada. 

Calcule a taxa de ocupação 

Depois de identificar a capacidade útil, é possível acompanhar quanto dela está sendo utilizada: 

Taxa de ocupação = capacidade ocupada ÷ capacidade útil × 100 

Por exemplo, se um armazém possui 1.000 posições-palete e 800 estão ocupadas, a taxa de ocupação é: 

800 ÷ 1.000 × 100 = 80% 

Uma referência da Oracle NetSuite aponta uma utilização entre 80% e 85% como uma faixa que pode ser considerada adequada para operações convencionais. Esse percentual, porém, não deve ser tratado como uma regra universal. O nível de ocupação adequado varia conforme o giro de estoque, o layout, as características das cargas, o sistema de armazenagem e a necessidade de acesso aos itens. 

Mais importante do que perseguir uma taxa de ocupação específica é entender se o espaço disponível está sendo utilizado de forma compatível com a produtividade e as necessidades da operação. 

Quais fatores influenciam a capacidade do armazém? 

A área disponível é apenas um dos elementos que determinam a capacidade de armazenamento. A forma como o espaço é organizado e utilizado pode alterar significativamente a quantidade de produtos que uma operação consegue acomodar. 

Entre os principais fatores estão: 

  • Layout, corredores e aproveitamento vertical: a distribuição das áreas e a altura disponível influenciam diretamente a quantidade de posições e o fluxo operacional. 
  • Dimensões, peso e condições de conservação dos produtos: cargas com diferentes características exigem diferentes tipos de armazenagem e movimentação. 
  • Tipo de palete, estante e sistema de armazenagem: porta-paletes, estantes, blocados e outras estruturas apresentam capacidades e necessidades de espaço distintas. 
  • Quantidade de SKUs, giro e necessidade de acesso: produtos com alta movimentação ou que precisam estar disponíveis rapidamente podem exigir posições mais acessíveis. 
  • Equipamentos de movimentação e regras de segurança: empilhadeiras, sistemas automatizados, limites de altura e áreas de circulação precisam ser considerados no dimensionamento. 
  • Áreas reservadas para recebimento, separação e expedição: nem todo o espaço do armazém pode ser ocupado permanentemente por estoque. 

Por isso, aumentar a quantidade de produtos armazenados nem sempre significa melhorar o aproveitamento do espaço. O ganho precisa ser analisado junto com o impacto na movimentação e na produtividade. 

Como saber se o armazém está próximo do limite? 

Uma taxa elevada de ocupação não significa necessariamente que o armazém esteja sendo bem aproveitado. Quando quase toda a capacidade está preenchida, a operação pode perder flexibilidade para receber novos produtos e encontrar dificuldades para movimentar o estoque existente. 

Alguns sinais indicam que o armazém pode estar próximo do seu limite operacional: 

  • dificuldade para encontrar endereços disponíveis; 
  • produtos armazenados em locais improvisados; 
  • aumento dos deslocamentos de pessoas e equipamentos; 
  • congestionamento nos corredores; 
  • demora para realizar reposições; 
  • dificuldade para organizar novas entradas; 
  • aumento do tempo de separação; 
  • queda da produtividade do picking. 

Esses problemas podem aparecer antes mesmo de a capacidade física ser totalmente ocupada. Um armazém com 90% de ocupação, por exemplo, pode apresentar mais dificuldades operacionais do que outro com o mesmo percentual, mas com produtos mais bem distribuídos e maior previsibilidade de movimentação. 

Em períodos de alta demanda, essa diferença se torna ainda mais relevante. A operação precisa de espaço não apenas para manter o estoque, mas também para receber mercadorias, realizar a separação, organizar pedidos e preparar a expedição. 

Como otimizar a capacidade sem ampliar o armazém? 

Antes de considerar uma expansão física, vale avaliar se o espaço atual está sendo utilizado de forma eficiente. Muitas vezes, mudanças no layout, no endereçamento e na gestão do estoque conseguem liberar capacidade sem aumentar a área construída. 

Algumas estratégias podem contribuir para esse aproveitamento: 

  • Revisar o layout: reorganizar corredores, áreas operacionais e estruturas para reduzir espaços ociosos e melhorar o fluxo de pessoas, equipamentos e mercadorias. 
  • Aproveitar o espaço vertical: utilizar estantes, porta-paletes e equipamentos adequados para ampliar a capacidade sem aumentar a área construída. 
  • Reposicionar os produtos: manter itens de maior giro próximos às áreas de separação e expedição, considerando também dimensões, peso e frequência de movimentação. 
  • Reduzir estoques obsoletos: identificar produtos parados, vencidos ou com baixa movimentação que ocupam posições importantes sem gerar retorno para a operação. 
  • Melhorar a previsão de demanda: alinhar compras e reposições ao consumo esperado para evitar excesso de estoque e congestionamento do armazém. 
  • Avaliar o cross-docking: direcionar determinados produtos do recebimento para a expedição, reduzindo o tempo de permanência e a necessidade de posições de armazenagem. 

O objetivo não é simplesmente colocar mais produtos dentro do mesmo espaço. Uma otimização eficiente precisa preservar a acessibilidade, a segurança e a produtividade do armazém. 

Como o WMS ajuda a gerenciar a capacidade de armazenamento? 

Em operações com muitos produtos, endereços e movimentações, manter o controle manual sobre a ocupação do armazém se torna cada vez mais complexo. Sem uma visão atualizada, a empresa pode ter dificuldade para identificar espaços disponíveis, localizar produtos e decidir onde armazenar cada nova entrada. 

Um WMS (Warehouse Management System) centraliza informações sobre estoque, endereçamento e movimentações, permitindo organizar o armazenamento de acordo com as características dos produtos e da operação. 

Na prática, o sistema pode apoiar a gestão de diferentes momentos do fluxo: 

  • Recebimento: organização da entrada e direcionamento dos produtos para endereços adequados. 
  • Armazenagem: definição e controle das localizações dos produtos. 
  • Movimentação: acompanhamento das transferências entre endereços. 
  • Estoque: visão atualizada dos saldos e da ocupação. 
  • Separação e expedição: organização dos produtos para atender aos pedidos e liberar espaço para novas movimentações. 

Com informações centralizadas, o gestor consegue acompanhar melhor a utilização dos endereços e identificar oportunidades para reorganizar o estoque e aproveitar melhor a capacidade disponível. 

O WMS da Senior apoia o controle de endereços, estoques e movimentações, ajudando a organizar os fluxos do armazém e a melhorar o aproveitamento do espaço, inclusive em períodos em que o aumento da demanda exige mais capacidade e agilidade da operação. 

Quer entender como o Senior WMS pode apoiar a gestão do seu armazém? Conheça o Senior WMS. 

Equipe da Senior
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A Equipe da Senior reúne especialistas que acompanham de perto as transformações da gestão empresarial e de pessoas. Aqui, experiência de mercado, tecnologia e conhecimento se conectam para traduzir tendências e desafios em conteúdos relevantes para empresas e lideranças.

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