Um bom sistema MRP determina o que produzir e quando, mas, via de regra, não considera a capacidade real das máquinas, a disponibilidade de ferramentas, os turnos e a prioridade entre ordens concorrentes.
O resultado é um plano de produção tecnicamente correto que o chão de fábrica não consegue cumprir, aspectos que podem ser atacados e corrigidos com um APS na indústria.
Fábricas com alto mix de produtos, operações por encomenda ou múltiplas linhas simultâneas atingem um ponto no qual a programação, seja manual ou baseada no MRP, não dá conta da complexidade e da velocidade esperada. O sequenciamento de produção se torna uma tarefa de dias e, quando fica pronto, já está desatualizado.
É nesse sentido que o APS na indústria se torna uma camada de programação avançada que preenche as lacunas de planejamento: analisa a capacidade disponível de recursos, simula cenários dentro da realidade do negócio, considera os prazos e as prioridades e gera o sequenciamento em minutos.
O que é APS na indústria?
O APS na indústria é um sistema de planejamento e programação avançada da produção que utiliza algoritmos de otimização para sequenciar ordens de produção levando em conta todas as restrições reais da fábrica. Ao contrário do MRP, o Advanced Planning and Scheduling gera um plano factível: o que pode ser produzido, a partir de quais recursos, em qual sequência e em qual janela de tempo.
Com isso, é possível obter uma programação detalhada e realista que o PCP entrega à gestão do chão de fábrica com confiança e dados. Esse planejamento também pode ser alterado em minutos, se houver uma mudança de demanda, de prioridades ou algum tipo de interrupção na linha de produção.
APS e MRP: qual é a diferença?
Os dois sistemas são complementares, pois resolvem problemas diferentes. A questão é que, em muitas fábricas, existe uma confusão sobre a intenção e a maneira como são usadas essas duas soluções.
Qual a função do MRP?
O MRP calcula as necessidades de materiais com base na demanda e na BOM (Bill of Material), gerando ordens de compra e de produção. Uma das limitações é que ele trabalha com capacidade infinita: ou seja, assume que os recursos estão sempre disponíveis e distribui as ordens pelo tempo sem considerar filas, restrições de setup ou conflitos entre ordens simultâneas.
Apesar de trazer um plano, ele nem sempre é confiável devido às restrições técnicas.
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O que o APS faz?
O APS, por outro lado, recebe as ordens geradas pelo MRP e as transforma em uma sequência lógica e funcional, de acordo com a capacidade real e a disponibilidade momentânea de cada recurso. Com isso, é capaz de resolver conflitos, definir prioridades e considerar restrições secundárias para gerar um cronograma detalhado que o chão de fábrica pode seguir de forma efetiva.
Quando os dois trabalham juntos?
É comum que ambas as soluções sejam usadas de maneira conjunta.
Nesse caso, o MRP estabelece um plano macro, que define o que precisa ser produzido e com qual prioridade. Na sequência, o APS na indústria transforma esse plano em uma programação executável: quem vai produzir, em qual máquina e com qual sequenciamento.
O ideal é que a execução e o controle sejam realizados por um ERP para a gestão industrial, o que assegura que haja planejamento, programação e controle do que é produzido.
Quais problemas o APS na indústria resolve na programação da produção?
Antes de avaliar se um sistema APS faz sentido para a operação industrial, vale identificar se os sintomas estão presentes no dia a dia do Planejamento e Controle de Produção (PCP):
- Sequenciamento feito manualmente em planilha, com dias de trabalho que ficam obsoletos em horas, já que não representam a realidade;
- Plano do MRP tecnicamente correto, mas inexecutável por ignorar a capacidade real das máquinas em determinado momento;
- Ordens concorrentes disputando os mesmos recursos sem um critério claro de prioridade a ser seguido;
- Promessas de entrega desconectadas da capacidade real e descumpridas com frequência, o que afeta a reputação e o fechamento de contratos;
- Impossibilidade de simular o impacto de um pedido urgente no plano atual sem a obrigação de reprocessar tudo o que foi feito anteriormente;
- Horas extras contratadas sem plano, consequência da falta de identificação de quais recursos realmente são um gargalo operacional e que refletem nas margens e nos custos operacionais.
Se a sua fábrica sente os impactos de um ou mais itens dessa lista, um APS na indústria se torna um investimento estratégico e inteligente.
Como o APS funciona na prática?
Para que entregue valor, o processo precisa se iniciar na coleta de dados e seguir até a integração e planos de programação do ERP. Confira algumas dessas etapas a seguir:
Coleta de dados do ambiente produtivo
Capacidade de máquinas, calendários de turno, disponibilidade de operadores, estoque de componentes e carteira de pedidos… esses são alguns dos dados que definem as restrições da fábrica para aquele momento e devem alimentar o modelo. Quanto maior a fidelidade dessas informações, mais efetivo será o sequenciamento.
Geração do sequenciamento
Com base nas restrições e nas regras de negócio configuradas, o APS na indústria gera o sequenciamento que minimiza atrasos, maximiza a utilização dos recursos críticos e respeita todas as restrições simultaneamente. É possível estabelecer prazo de entrega, custo de setup e prioridade de cliente como parâmetros a serem estabelecidos.
Simulação de cenários
Um dos caminhos fundamentais para a indústria 4.0 é a simulação de cenários.
A ideia é que o APS seja capaz de testar e antecipar o que acontece com a programação atual se um pedido urgente entrar, uma máquina parar ou a demanda mudar. Em minutos, os gestores conseguem tomar decisões fundamentadas e mais inteligentes.
Devolução ao ERP e execução
A programação gerada pelo APS na indústria é devolvida ao ERP, que libera as ordens ao chão de fábrica com sequência, horário e recursos definidos. O apontamento de produção retroalimenta o ciclo: o APS recalcula com base na execução real e mantém o plano fidedigno à realidade.
Como a Senior entrega APS integrado ao ERP industrial?
Nosso ecossistema integra o APS ao ERP industrial em uma plataforma única, sem necessidade de interfaces externas. O sistema opera com capacidade finita, suporta simulação de cenários, atende políticas ETO, ATO, MTO e MTS e realiza cálculos de MRP multi-plantas em ambiente corporativo.
Para indústrias que já operam com o nosso ERP, os dados de ordens, de estoques e de capacidade fluem diretamente entre os módulos. O PCP não requer a exportação de planilhas para alimentar ferramentas externas e trabalha com planejamento avançado, programação fina e controle integrados no mesmo ambiente.
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