Ferramentas de gestão de riscos: o que são e benefícios para as empresas

Descubra as principais ferramentas de gestão de riscos a partir das normas ISO 31000 e 31010 e como aplicá-las para fortalecer a governança corporativa.

Uma gestão de riscos coordenada em uma organização requer a definição clara de processos, o investimento em tecnologia especializada e a criação de uma estrutura clara para este fim. Para aprimorar a eficiência das ferramentas de gestão de riscos, é preciso coordenar ações e técnicas que efetivamente tenham sucesso na mitigação de riscos.

O mundo globalizado e digital de hoje transformou a realidade da grande maioria dos negócios. Por isso, empresas de todos os portes precisam se adequar às exigências relacionadas à legislação e às demandas dos clientes. Nesse contexto, realizar análises de risco contínuas se tornou uma demanda para todos os perfis de negócios: sejam micro, pequenas, médias, grandes ou multinacionais.

A realidade é que cada perfil de negócio conta com demandas individuais e estruturar processos e investir em ferramentas para gestão de riscos é, por vezes, complexo. Nesse contexto, as normas internacionais aparecem como mecanismos para simplificar a organização destes processos de forma clara e efetiva. Duas delas se destacam para auxiliar as empresas:

ISO 31000:2018, que trata das diretrizes de gestão de risco;

ISO 31010:2019, que aborda as técnicas para avaliação dessas ameaças.

Siga conosco para entender mais sobre o tema!

O que são ferramentas de gestão de riscos?

As ferramentas de gestão de riscos são métodos, processos e tecnologias utilizados para identificar, avaliar, monitorar e mitigar riscos que podem impactar os objetivos estratégicos de uma organização. Elas permitem que empresas antecipem ameaças, reduzam vulnerabilidades e tomem decisões mais seguras, alinhadas às normas internacionais de governança corporativa.

Essas ferramentas podem incluir softwares especializados, matrizes de risco, análises qualitativas e quantitativas, além de metodologias baseadas em padrões reconhecidos, como a ISO 31000 e a ISO 31010. Enquanto a ISO 31000 estabelece diretrizes para estruturar a gestão de riscos, a ISO 31010 apresenta técnicas práticas para avaliação, como análise de cenários, árvore de falhas e matriz de probabilidade e impacto.

O que engloba a ISO 31000:2018?

A norma tem uma abordagem ampla e que se enquadra à rotina e às necessidades de cada negócio, descrevendo princípios, estrutura e processos de gestão desta área. Trata-se, portanto, de um princípio que pode ser aplicado a qualquer negócio, independentemente das indicações de uma matriz de risco. Ela pode incluir:

Políticas de segurança da informação e cibersegurança, inclusive aspectos relacionados à LGPD;

– Cuidados de governança relacionados ao ESG, dentro de uma abordagem de duty of care.

– Aspectos relacionados ao compliance empresarial, abordando gestão de qualidade, de inovação, ambiental de crises e questões reputacionais.

Ou seja, por se tratar de uma diretriz mais genérica, ela pode servir de referência para gerir os processos de um negócio e, ao mesmo tempo, estabelecer prioridades de investimento, incluindo as ferramentas de gestão de riscos.

No entanto, a tecnologia não pode ser o único aporte, já que a organização precisa coordenar essas atividades nos níveis estratégico, operacional e de projetos.

ISO 31010:2019 aplica as ferramentas de gestão de riscos

Servindo de complemento para ISO 31000:2018, a ISO 31010:2019 introduz diretrizes e práticas para aplicar a avaliação de riscos efetivamente. Se a primeira define os princípios, a segunda foca mais em “como fazer”, com mais de 40 métodos e técnicas para identificar, analisar e avaliar riscos em diferentes contextos organizacionais.

Com a grande quantia de dados nas organizações, a ideia da medida é permitir uma tomada de decisões fundamentada, escolhendo técnicas que auxiliem os gestores a partir do tipo de risco, da complexidade e das ferramentas de gestão de riscos disponíveis. Para isso, é preciso entender e considerar fatores como probabilidade, nível de impacto e até a relação entre riscos para ter mais sucesso nesta abordagem.

Quais são as principais ferramentas de gestão de riscos?

A ISO 31010:2019 apresenta um conjunto abrangente de técnicas e metodologias de avaliação, permitindo que as organizações selecionem as ferramentas de gestão de riscos mais adequadas conforme o tipo de operação, o contexto do negócio e a complexidade de seus processos. Abaixo, destacamos as principais ferramentas e sua aplicação prática:

1. Matriz de riscos

Combina probabilidade e impacto para classificar riscos em níveis de criticidade. É ideal para análises qualitativas e facilita a priorização de ações de mitigação. Sua simplicidade permite uso em diferentes áreas — de operações industriais a projetos corporativos.

2. Mapa de riscos

Representa graficamente os riscos identificados em processos, áreas ou unidades de negócio. Ele permite visualizar onde estão os principais pontos de vulnerabilidade e contribui para o monitoramento contínuo.

3. Análise SWOT

Usada tradicionalmente em planejamento estratégico, a SWOT também pode servir de ferramenta para identificação de riscos. Ela auxilia na compreensão do ambiente interno e externo, permitindo antecipar ameaças e aproveitar oportunidades.

4. Hazop

Método estruturado voltado à identificação de desvios, contribui para entender causas, consequências e salvaguardas existentes. É amplamente aplicado em setores como industrial, construção civil e energia.

5. FMEA

Analisa possíveis modos de falha, suas causas e efeitos, atribuindo uma pontuação que indica a prioridade de tratamento. É eficaz em sistemas de engenharia e produção, aprimorando a gestão de manutenção industrial e aumentando a confiabilidade operacional de equipamentos e dispositivos.

6. Análise de Árvore de Falhas (FTA) e de Eventos (ETA)

A primeira é uma técnica dedutiva que parte de um evento indesejado e mapeia suas possíveis causas. Muito usada em segurança de sistemas, ela auxilia na identificação de falhas críticas e na modelagem lógica de riscos complexos. A ETA atua de modo complementar, avaliando múltiplas probabilidades após um erro inicial.

7. Bow-Tie Analysis

Combina os princípios da FTA e da ETA em um único diagrama, visualizando as causas, o evento central e as consequências. Ideal para atuar de forma proativa na prevenção.

8. Análise de cenários

Permite simular diferentes futuros possíveis e entender como variáveis externas podem afetar a organização. É uma ferramenta estratégica de alto valor em contextos de incerteza, planejamento de longo prazo e riscos emergentes. Tornou-se mais simples de ser aplicada com tecnologias como BIM (construção civil) e digital twins (gêmeos digitais).

9. Checklists e questionários

Auxiliam na identificação sistemática de riscos, garantindo que aspectos críticos não sejam negligenciados. A norma recomenda seu uso como complemento a outras técnicas, principalmente em auditorias, diagnósticos e processos de conformidade regulatória.

Há, ainda, outros métodos reconhecidos como a Análise de Causa Raiz (RCA) e de Impacto nos Negócios (BIA). Com essa diversidade, é preciso que os negócios identifiquem quais ferramentas de gestão de riscos se relacionam aos seus negócios. Para isso, ter uma área especializada em segurança e realizar entrevistas e workshops voltados à segurança empresarial são rotinas importantes a serem estabelecidas.

Como escolher uma ferramenta de gestão de riscos?

Não existe uma única técnica ou abordagem adequada para todos os contextos corporativos. A escolha da ferramenta de gestão de riscos ideal depende do objetivo da análise, da maturidade da organização e do nível de detalhamento. Para orientar essa seleção, considere os seguintes pontos:

  1. Defina o propósito da análise: determine se o objetivo é identificar riscos, avaliar impactos, quantificar probabilidades ou apoiar decisões estratégicas.
  2. Avalie a complexidade do sistema: processos críticos e interdependentes exigem métodos estruturados, como HAZOP, FMEA ou Bow-Tie.
  3. Considere a disponibilidade de dados: se houver dados históricos confiáveis, use técnicas quantitativas. Caso contrário, prefira abordagens qualitativas, como a matriz de riscos.
  4. Envolva as partes interessadas: é importante a participação de especialistas e gestores na escolha e aplicação das ferramentas.
  5. Integre diferentes técnicas: combinar métodos qualitativos e quantitativos aumenta a robustez da avaliação e melhora a comunicação dos resultados. Soluções especializadas de segurança precisam se conectar com outras plataformas, sobretudo o sistema ERP.
  6. Revise e atualize periodicamente: as ferramentas devem ser reavaliadas sempre que houver mudanças de contexto, em processos ou no ambiente de negócios.

Benefícios práticos das ferramentas de gestão de riscos para as empresas

A aplicação das ferramentas de gestão de riscos descritas na norma significa a construção de um instrumento estratégico de governança. Com ele, mitigam-se as incertezas a partir do mapeamento de vulnerabilidade e priorização de ações corretivas para fortalecer os controles internos.

A consequência? Redução de perdas financeiras, melhora da eficiência operacional e aumento da previsibilidade dos resultados. O uso sistemático dessas técnicas favorece ainda a conformidade com normas e legislações, contribuindo para uma gestão mais transparente e confiável.

Com o apoio da tecnologia, é possível automatizar processos, reduzir falhas humanas e aumentar a eficiência operacional, elevando o nível de maturidade em gestão de riscos e segurança corporativa. Invista em uma abordagem proativa de gestão de riscos e fortaleça a base do sucesso dos seus projetos.

Sistema de Gestão de Riscos e Segurança

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