Etarismo no mercado de trabalho: o que é e como combater

O etarismo no mercado de trabalho é uma forma de discriminação que afeta profissionais de diferentes idades e ainda é pouco discutida nas organizações.

Quatro a cada dez profissionais brasileiros (41%) afirmam ter sofrido discriminação devido à idade, de acordo com uma pesquisa realizada pela consultoria Michael Page. O número está acima da média global (36%) e da América Latina (35%). Ou seja, o etarismo no mercado de trabalho é uma realidade que precisa ser encarada de frente.

Novas tecnologias, mudanças nas formas de contratação e a chegada de diferentes gerações nas empresas redefinem o que significa trabalhar em equipe e construir uma cultura organizacional sólida. Nesse cenário de transição, a gestão da diversidade se tornou não apenas um valor social, mas uma estratégia de negócio essencial para o crescimento sustentável das organizações.

Ao longo deste artigo, vamos entender o que é o etarismo no mercado de trabalho, como ele se manifesta nas empresas e quais estratégias os RHs podem adotar para construir um ambiente verdadeiramente inclusivo.

O que é etarismo?

Também conhecido como ageísmo, o termo se refere ao preconceito contra indivíduos com base em sua idade. Ele pode atingir tanto pessoas mais jovens, como da geração Z, quanto com mais idade, mas é mais comum que recaia sobre profissionais mais experientes.

Esse tipo de discriminação se manifesta por meio de estereótipos e julgamentos, como associar juventude à inovação e idade à falta de adaptação tecnológica.

E o que é etarismo no mercado de trabalho?

Etarismo no mercado de trabalho é a discriminação baseada na idade, quando profissionais são avaliados, excluídos ou limitados não por suas competências, mas por serem considerados “jovens demais” ou “velhos demais” para determinada função.

Essa discriminação pode aparecer em processos de recrutamento e seleção, na distribuição de tarefas, em promoções de cargo, em oportunidades de desenvolvimento ou até na forma como colaboradores são tratados e percebidos na estrutura organizacional e dia a dia da empresa.

De acordo com uma pesquisa da consultoria PwC Brasil, 72% dos gestores de grandes empresas preferem contratar pessoas com menos de 40 anos. Além disso, 86% dessas empresas não têm planos de carreira para profissionais acima desta faixa etária.

Esse cenário é ainda mais sensível entre as mulheres. O etarismo feminino no mercado de trabalho combina os preconceitos de gênero e de idade, dificultando a permanência e a ascensão profissional desse perfil de profissional. Muitas relatam se sentir invisibilizadas após os 40 anos, especialmente quando se trata de posições de liderança.

Como o etarismo se manifesta no ambiente de trabalho?

O etarismo pode aparecer de forma sutil ou explícita em diversas etapas da jornada do colaborador. Começa, muitas vezes, na seleção de pessoas, quando candidatos mais velhos são descartados e se estende ao cotidiano das equipes. No ambiente organizacional, esse preconceito pode se traduzir em:

O etarismo no mercado de trabalho também se manifesta em frases e atitudes cotidianas que reforçam estereótipos, mesmo que de forma inconsciente. Alguns exemplos comuns de frases etaristas no trabalho:

  • Fulano é ótimo, mas já passou da idade para essa função.”
  • “Essa pessoa não vai se adaptar às novas tecnologias.”
  • “Vamos colocar alguém mais jovem, que tenha mais energia.”
  • “Ela é muito velha para aprender algo novo.”
  • “Você é novo demais para opinar sobre isso.”
  • “Ele já devia estar pensando em se aposentar.”

Embora comuns, essas falas criam barreiras simbólicas e impactam a autoestima, o employee engagement e o desempenho dos colaboradores. Combater esse tipo de comportamento é essencial para construir ambientes de trabalho diversos e produtivos.

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Combatendo o etarismo no mercado de trabalho

Superar o etarismo no mercado de trabalho exige mais do que conscientização individual. É necessário implementar ações estruturadas de diversidade e inclusão, acompanhadas por indicadores de RH que monitorem dados estratégicos e contribuam para promover a equidade geracional nas empresas.

O primeiro passo é reconhecer que a diversidade etária é uma vantagem competitiva. Times compostos por pessoas de diferentes idades combinam experiência, inovação e perspectivas complementares, o que melhora a tomada de decisão e estimula a criatividade.

Recrutamento inclusivo

O combate ao etarismo começa no processo de recrutamento e seleção. Um recrutamento inclusivo deve eliminar barreiras etárias e priorizar competências, experiências e potencial. Soluções como o ATS da Senior possibilitam automatizar triagens de currículos e reduzir vieses inconscientes, garantindo que o foco esteja apenas nas competências.

Treinamentos e conscientização sobre o tema

Para fortalecer uma cultura inclusiva, as empresas devem promover treinamentos sobre diversidade etária e sensibilização das lideranças. É importante que gestores entendam como o etarismo no mercado de trabalho se manifesta, aprendam a identificar comportamentos excludentes e saibam agir de forma coerente.

Programas de mentoria reversa, em que profissionais de diferentes gerações trocam experiências, também são uma excelente forma de promover aprendizado mútuo e quebrar estereótipos.

Políticas inclusivas

Outro pilar essencial é a criação de políticas internas claras, que assegurem igualdade de oportunidades independentemente da idade. Isso inclui diretrizes sobre recrutamento, promoção, capacitação e remuneração, reforçando a equidade salarial e a transparência.

Empresas que fazem o monitoramento constante com uma pesquisa de diversidade contínua conseguem monitorar o engajamento e identificar desigualdades geracionais, agindo de forma mais precisa.

Promoção de comitês de diversidade

Os comitês de diversidade têm papel estratégico na gestão de pessoas, pois estimulam o diálogo entre colaboradores de diferentes perfis e geram dados valiosos para a melhoria das práticas internas. Com a diversidade geracional, a empresa fortalece seu compromisso com uma cultura de respeito, inclusão e aprendizado constante.

Esses comitês também ajudam a alinhar as políticas corporativas às legislações relevantes, como a Lei da Igualdade Salarial.

Caminhos para um mercado de trabalho mais inclusivo

O combate ao etarismo no mercado de trabalho é, acima de tudo, um compromisso com a equidade e a inovação. Reconhecer o valor da experiência e criar espaços nos quais todas as gerações possam contribuir de forma significativa contribui para o crescimento sustentável das empresas. Gestores que adotam essa visão constroem times mais engajados, produtivos e preparados para o futuro.

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