Saiba como entender as regras e os processos por trás desta tarefa auxilia produtores e cooperativas a cumprirem exigências legais e ampliarem o valor comercial de seus produtos.
Um novo boletim da Conab, baseado no Levantamento da Safra de Grãos de agosto deste ano, colocou a estimativa de produção em 360,8 milhões de toneladas, um incremento de 2,4% em relação à safra anterior. Os números mostram a robustez do agronegócio brasileiro e das operações necessárias para formalizar negócios: da classificação de sementes à comercialização de produtos agrícolas.
Antes de muitos desses grãos de commodities agrícolas chegarem aos portos para exportação, há uma série de processos realizados nas estruturas de operações agroindustriais e de cooperativas agrícolas, como o beneficiamento de grãos. O volume da produção aumenta a complexidade envolvida e gera questionamentos: como ser mais ágil e preciso em safras cada vez maiores?
A resposta envolve necessariamente a tecnologia, um braço que se torna cada vez mais presente e necessário nas operações do agronegócio. É a estruturação de processos claros assistidos por tecnologia que minimiza filas para abastecimento de caminhões e, ao mesmo tempo, coordena os processos necessários à venda: da certificação de originação de grãos aos procedimentos da agroindústria.
Estar em linha em todas essas frentes já não é mais visto como um diferencial de negócio, mas como uma necessidade para se manter competitivo. Para isso, entender as regras de legislação de sementes e detalhes da classificação de diversos produtos é um processo interno fundamental para manter abertas as portas de negócios com o exterior em conformidade com as exigências legais.
O que é a classificação de sementes?
Classificação de sementes é o ato de determinar as qualidades intrínsecas e extrínsecas de um produto vegetal, comparando-o a padrões oficiais estabelecidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Este processo determina se um lote de soja, milho ou feijão está dentro do padrão esperado e, consequentemente, qual é o seu valor comercial.
Há, também, uma diferença na classificação de sementes para os produtores e na comercialização. Na etapa de plantio, a avaliação de sementes diz respeito à pureza genética, ao vigor e a outros atributos que contribuem para a produtividade. Depois da colheita, a classificação de sementes avalia critérios como tamanho, impurezas e outros defeitos que interferem em seu valor no mercado.
Embora sejam conceitos distintos, eles estão relacionados entre si. Afinal de contas, uma boa classificação na origem assegura produções em volume e qualidade, o que torna o beneficiamento de sementes mais seguro – muitas vezes, até com clientes já definidos previamente.
Por que a classificação de sementes é obrigatória?
A obrigatoriedade está prevista na Lei nº 9.972/2000, que “institui a classificação de produtos vegetais, subprodutos e resíduos de valor econômico”, entre outros. Em seu artigo 1º, a classificação de sementes é obrigatória para três finalidades:
- Produtos destinados à alimentação humana;
- Em operações de compra e venda que envolvam o poder público;
- Nas importações, seja em portos, aeroportos ou demais postos de fronteira.
O desafio dos produtores e cooperativas agrícolas, neste caso, é assegurar que a classificação, atribuição do Ministério da Agricultura, seja mantida ao longo de safras. Para isso, é importante que os produtos mantenham os padrões estabelecidos, em especial a identidade e a qualidade.
Esta é apenas a fundamentação legal. A classificação de sementes, porém, também envolve aspectos comerciais. Um cliente pode definir padrões de exigência que precisam ser seguidos para estar em linha com as suas regras, considerando desde cuidados com a gestão de originação agrícola até aspectos particulares da produção, como tamanho, índice de umidade, entre outros.
Legislação e padrões oficiais do MAPA
Cada produto agrícola tem regulamentos técnicos específicos, que detalham os requisitos de identidade e qualidade, os métodos de amostragem e os limites de tolerância para cada defeito.
Conhecer a norma vigente para cada cultura evita contestações, descontos e problemas reputacionais. Confira:
Regulamento técnico da soja
O padrão oficial de classificação da soja está na Portaria SDA nº 532/22, que revogou a antiga Instrução Normativa nº 11/2007 e entrou em vigor em 1º de março de 2022. A norma detalha os requisitos de identidade e de qualidade da soja e de seus subprodutos, além dos critérios de amostragem, apresentação e rotulagem usados na classificação.
Entre eles, encontram-se teor de umidade, limites de defeitos, teores de proteína e óleo e toda a metodologia envolvida nesses processos.
Leia também: Plantação de soja: melhores estratégias, tecnologias e boas práticas
Regulamento técnico do milho
Para o milho, vale a Instrução Normativa Mapa nº 60/11. A norma trouxe uma atualização importante em relação ao padrão anterior, que era de 1976: passou a tratar o milho pipoca separadamente das demais variedades, por ter características físicas distintas.
Via de regra, divide o produto em duas grandes categorias: milho fino (destinado à alimentação humana) e milho (alimentação animal e processos da agroindústria). Entre outros pontos, a nova regra também redefiniu limites para grãos ardidos, avariados e impurezas.
Normas específicas para feijão, arroz, trigo e outras culturas
Feijão, arroz, trigo e outros produtos também têm regulamentos técnicos próprios, publicados pelo Mapa e periodicamente atualizados. O princípio segue a mesma lógica: cada norma fixa as características do produto, os defeitos que podem rebaixá-lo e os métodos de amostragem aceitos. Dessa forma, a classificação de sementes não depende de interpretações subjetivas.
É comum que essas normas sejam atualizadas, a exemplo da separação do milho de pipoca e do tradicional. É dever dos produtores e cooperativas agrícolas acompanhar as modificações publicadas pelo Mapa, evitando prejuízos decorrentes de trabalhar com regras desatualizadas e que gerem contestação ou cancelamento de pedidos.
Como funciona o processo de classificação de sementes?
Este trabalho segue uma sequência de etapas técnicas até a obtenção do laudo que acompanha a carga. Confira, abaixo, o funcionamento deste processo:
Recepção e amostragem do lote
Após a recepção, o caminhão é pesado e uma amostra da carga é coletada, para obter uma visão completa do lote e não apenas das camadas superficiais. É a partir dessa seleção que todas as análises seguintes serão feitas, o que torna a etapa determinante para a confiabilidade do resultado final.
Análise de umidade
O teor de água no grão é medido pelo determinador de umidade e comparado aos limites estabelecidos no regulamento técnico de cada cultura. Umidade acima do padrão significa desconto no peso pago, necessidade de secagem antes do armazenamento ou até recusa da carga, dependendo do nível de desvio identificado.
Por isso, se cooperativas e produtores percebem esse problema antecipadamente, eles podem agir para assegurar a entrega em padrões mais elevados.
Identificação de impurezas e defeitos
O classificador separa e quantifica os grãos ardidos, quebrados, avariados, mofados ou com presença de matérias estranhas, seguindo as tolerâncias específicas. Esse levantamento define se o lote será considerado dentro ou fora do tipo, o que vai determinar o seu valor de mercado.
Emissão do laudo de classificação
Com os dados de umidade, impurezas e defeitos consolidados, o classificador credenciado emite o laudo. Trata-se do documento que formaliza o resultado e respalda tanto o produtor quanto o comprador na negociação. Esse registro digital autoriza a comercialização do lote e contribui para o seu valor de mercado.
Os responsáveis pela classificação de sementes devem ser credenciados no Ministério da Agricultura e Pecuária, conforme estabelece a Lei nº 9.972/2000. Esta possibilidade existe para cooperativas agroindustriais, entidades de setor e até empresas privadas.
Grupo, classe e tipo: como o resultado é definido
O enquadramento final de um lote se trata da soma de três variáveis: grupo, classe e tipo.
- Grupo: refere-se a características como cor e tegumento do grão, quando aplicável ao produto.
- Classe: analisa aspectos como a forma e a espécie botânica.
- Tipo: é o resultado direto dos percentuais de defeitos e impurezas encontrados na amostra, variando do Tipo 1 (melhor qualidade) a fora do tipo.
Conseguir um bom enquadramento determina a destinação possível de um lote – alimentação humana, ração animal ou exportação – e, consequentemente, o valor comercial final. O foco dos produtores é tentar manter a padronização de sua produção, de modo a evitar que lotes de uma mesma safra sejam categorizados de forma distinta.
Classificação de sementes x classificação de grãos: qual a diferença?
Embora o processo físico de amostragem se pareça, os critérios avaliados mudam conforme a finalidade do produto.
- Semente para plantio: o foco primordial está na germinação, no vigor genético e na pureza varietal. São essas três características que garantem que aquele material vai originar uma lavoura saudável.
- Grão como commodity: busca-se a pureza física e atender aos critérios comerciais, que definem o valor de mercado do lote, sem relação direta com a capacidade de germinação.
Entender essa diferença evita erros de gestão: uma cooperativa que compra grãos para revenda não precisa aplicar os mesmos critérios de um produtor de sementes certificadas, e vice-versa. Compreender o público e o destino da produção é importante para os gestores agrícolas tomarem decisões.
Uma classificação de sementes certificadas envolve testes de germinação em laboratório, enquanto a classificação de grãos como commodity precisa de resposta rápida, já que costuma acontecer em meio aos processos logísticos do agronegócio. É essencial que estas frentes sejam separadas para garantir que ambos os critérios sejam atendidos adequadamente.
Tecnologia e automação na classificação de grãos
Em um processo complexo, depender de anotações manuais não é seguro e muito menos eficiente. Com o aumento das exigências de rastreabilidade no agronegócio, deixar de investir em tecnologia especializada é uma decisão que traz custos que se acumulam com o passar do tempo: mais tempo de fila, risco de erros, dificuldade para separar lotes e falta de entendimento no caso de divergências.
A automação agrícola integra balanças e equipamentos de classificação diretamente ao ERP para o agronegócio. Com a captura automática dos dados e reconhecimento óptico de caracteres (OCR) – tecnologia aplicada para ler informações direto do equipamento de classificação –, o registro deixa de depender de digitação manual.
Dessa forma, há redução de falhas, agiliza-se a fila de caminhões e cria-se um histórico digital de cada carga, o que fortalece a rastreabilidade e dificulta fraudes na recepção. Com o volume de grãos batendo recorde a cada safra, é inviável ter eficiência e gerir esse processo manualmente, sem um fluxo automatizado e estruturado.
Os benefícios da tecnologia
Soluções especializadas para o agro trazem ainda outra vantagem que não pode ser negligenciada pelos gestores agrícolas. Produtores e cooperativas agrícolas, por vezes, desperdiçam o tempo de suas equipes, especialmente no pico da safra, para dar conta de tudo o que envolve a classificação de sementes.
Com processos automatizados, a equipe pode se concentrar em identificar anomalias e tratar as exceções — os casos que realmente exigem análise humana —, em vez de gastar horas registrando dados que o próprio equipamento e os sistemas são capazes de fazer automaticamente.
A integração entre balança, classificador e ERP também melhora a gestão de estoque, permitindo formar lotes para a venda conforme sua qualidade, estabelecer contratos para a negociação e gerenciar todos os processos de beneficiamento, armazenamento e entrega.
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Processo manual, sujeito a erro humano e sem rastreabilidade real: é essa a dor que acompanha boa parte das cooperativas e agroindústrias na hora de classificar as cargas que chegam ao pátio. A tecnologia atual, no entanto, minimizou essas dificuldades, sobretudo os sistemas especializados e desenvolvidos considerando as particularidades do agronegócio.
É o caso da nossa solução, que integra a originação e a classificação de sementes diretamente ao ERP, conectando balanças e equipamentos ao sistema de gestão para eliminar a digitação manual, reduzir erros no laudo e dar visibilidade completa sobre cada lote, do recebimento à comercialização. Esse cuidado pode ser a diferença na obtenção de preços mais favoráveis e na reputação do negócio.
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