Mais de 70% das empresas de construção civil alegaram barreiras para encontrar e manter profissionais qualificados em seus projetos.
Mais de 7 a cada dez construtoras do país (71,2%) encontraram dificuldades para contratar novos profissionais em 2024, de acordo com uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV. Para 39% dos entrevistados, a adversidade foi muito grande, tornando-se um dos principais desafios na gestão de mão de obra na construção.
Nesse cenário, as construtoras e incorporadoras devem superar barreiras para ampliar a fidelidade da mão de obra com soluções especializadas relacionadas ao controle de jornada e gestão de ponto. É preciso também investir em meios de melhorar a capacitação de colaboradores, criando novos interesses para que se mantenham em suas posições por mais tempo.
Mas somente encontrar profissionais não é o único desafio da gestão de mão de obra na construção. Quais são as outras barreiras sentidas pelos gestores da área? Fique conosco na sequência deste artigo para saber mais.
Quais são os principais desafios na gestão de mão de obra na construção civil?
A pesquisa do Ibre indicou a dificuldade para encontrar mão de obra, mas há outros fatores que precisam ser analisados:
- Baixa qualificação da mão de obra – Nem sempre a dificuldade está em achar profissionais disponíveis, mas que sejam capacitados para a função. Isso se agrava à medida que os serviços exigem mais especialização.
- Gestão de terceiros – Em canteiros de obras, é comum as contratações por empreitadas e a presença de outras empresas nos projetos. Os terceiros precisam seguir as regras estabelecidas, exigindo cuidados especializados com essa administração de pessoas.
- Alta rotatividade de trabalhadores – As construtoras e as incorporadoras precisam investir em meios de melhorar a retenção de colaboradores. Quanto mais sucesso nessa fase, menor a necessidade de investir em treinamentos e há uma redução no absenteísmo.
- Gestão de produtividade – Mesmo nas equipes que superam a falta de mão de obra – apontada como um dos principais desafios na gestão de mão de obra na construção –, há dificuldade em assegurar a execução de obras dentro dos prazos. Soluções de digitalização do canteiro de obras trazem parâmetros para melhorar a tomada de decisão e aprimorar a comunicação.
- Segurança e saúde no trabalho – É preciso agir de maneira proativa para prevenir os acidentes de trabalho. A prevenção é o melhor caminho, especialmente com a estruturação de um Sistema SST (Saúde e Segurança do Trabalho).
Muitos desses pontos interferem diretamente no clima organizacional. Quando há um planejamento de obras adequado, com a correta alocação de recursos humanos, evita-se que situações como condições adversas, falta de reconhecimento e jornadas exaustivas sejam registradas. Dessa forma, é possível manter os cronogramas e as atividades em dia, especialmente em canteiros digitais.
Isso exige, porém, um olhar atencioso para a capacitação de pessoas e a garantia de que estejam familiarizadas com as tecnologias e sistemas.
Como fazer o controle eficiente de ponto e jornada na construção?
Um dos maiores desafios na gestão de mão de obra na construção é o controle de ponto e de jornada. Em construtoras e incorporadoras que não passaram pelo processo de um RH digital, é quase impossível monitorar a performance, como as equipes estão seguindo as orientações ou respeitando os acordos coletivos.
Isso muda à medida que as construtoras e incorporadoras investem em tecnologias voltadas para o RH. Mesmo em ambientes externos, como os canteiros de obras, é possível definir a jornada de trabalho, os horários de descanso e emitir alertas caso as equipes estejam ultrapassando os limites sem a anuência da coordenação.
Dessa maneira, garante-se que as equipes de campo estejam seguindo a orientação dos times de RH e as regras voltadas à gestão de pessoas. Além de contribuir para diminuir a rotatividade de pessoas, essa gestão digital do ponto, da jornada e das escalas de trabalho mitiga o risco de passivos trabalhistas, já que os dados ficam centralizados em sistemas especializados, como os ERPs.
O que fazer para aumentar a produtividade da equipe em obras?
Um dos objetivos da construção civil – e de outros segmentos – é a busca contínua de fazer mais com menos recursos. Historicamente, os canteiros de obras eram áreas totalmente análogas, com controles realizados por meio de planilhas físicas. Isso, na prática, reduzia a visibilidade dos gestores sobre a produtividade das obras, de cada equipe e da evolução do projeto.
Atualmente, novas ferramentas surgiram e estão sendo aplicadas para digitalizar o canteiro de obras de maneira estratégica. Soluções como diário de obras e checklists permitem aos gestores fazer o controle de obras conforme o planejamento estipulado inicialmente. Fichas de verificação de serviço (FVS) asseguram não só a execução dentro do prazo, mas dentro dos padrões de qualidade.
Muda-se, portanto, a perspectiva de tomada de decisão ao retirar a subjetividade e acrescentar dados obtidos no canteiro. Com isso, os canteiros de obras se aproximam de uma indústria, já que é possível – a partir desses sistemas e de outros dispositivos especializados – acompanhar métricas específicas sobre o desempenho de uma obra, de um time ou até de um colaborador.
Na prática, trata-se de uma verdadeira revolução digital da gestão do canteiro com assertividade, firmeza e tecnologia.
Quais indicadores usar na gestão de mão de obra na construção civil?
Com dados digitais, é possível encarar de frente os desafios da gestão de mão de obra na construção. Isso porque o desempenho pode ser monitorado a partir de indicadores de performance, os KPIs. Cada parâmetro apresenta informações sobre a eficiência, a produtividade, a segurança, o custo, entre outros pontos. Confira alguns dos principais KPIs:
- Produtividade por colaborador, avalia o rendimento individual médio;
- Produtividade por equipe: separa os grupos e mede a sua eficiência na execução de tarefas;
- Índice de retrabalho: aponta falhas na execução e desperdícios;
- Horas trabalhadas vs. horas previstas: compara o tempo gasto em relação ao planejado;
- Custo de mão de obra por unidade: pode ser medido por m2, auxiliando a entender o impacto da mão de obra no custo final de um projeto;
- Horas extras realizadas: é uma maneira de identificar se as escalas estão sendo seguidas;
- Frequência de acidentes de trabalho: avalia a segurança do canteiro de obras;
- Taxa de turnover: mede o total de desligamento em relação ao volume de colaboradores;
- Índice de absenteísmo: apresenta a perda de produtividade decorrente de faltas não programadas.
Muitos desses KPIs estão relacionados à produtividade, à eficiência operacional, ao custo, à segurança no trabalho e à gestão de pessoas, podendo ser personalizados conforme o tipo de projeto. Ao quantificar e qualificar essa análise, oferecem-se subsídios para superar os desafios da gestão de mão de obra na construção civil de forma estruturada e eficiente.
Vencendo os obstáculos da gestão de mão de obra na construção
Os obstáculos da gestão de mão de obra na construção civil impactam diretamente o andamento e os custos das obras, comprometendo prazos e resultados. Em um cenário mais digital, é fundamental que construtoras e incorporadoras adotem uma abordagem estratégica, com foco na digitalização de processos, na melhoria da comunicação entre equipes e no uso de indicadores para tomar decisões.
O uso de soluções digitais especializadas — como sistemas de RH, controle de ponto, escalas e ferramentas operacionais — torna-se um diferencial e traz uma nova perspectiva para os gestores. Essas tecnologias dão mais visibilidade sobre o desempenho das equipes, promovem a conformidade legal e reduzem riscos trabalhistas, enquanto aumentam a eficiência e diminuem a alta rotatividade.