Saiba como manter um projeto de e-learning ativo em sua empresa.
Depois de alguns anos atuando diretamente com o e-learning em ações corporativas, percebo que alguns pressupostos frágeis sobre a aplicação do EAD nas empresas continuam se multiplicando. Em contato com profissionais de RH – normalmente são eles que puxam projetos de implantação de um LMS (learning management system) – vejo repetidas falas sobre expectativas superdimensionadas ou dúvidas sobre sua efetividade.
Cinco pressupostos se sobressaem e é sobre eles que convido para a reflexão. Confira!
1. A tecnologia do e-learning equivale a sua estratégia
Se a estratégia se resume à implantação de um LMS, há risco alto de não dar certo. Antes, é necessário um estudo e planejamento que estabeleça objetivos e metas claras do que se busca alcançar: a prioridade pode ser explicitar conhecimento, otimizar a sua “entrega” ou até mesmo ganhar escala de público.
É importante também um alinhamento de expectativas e papéis bem definidos: a responsabilidade pela produção do conteúdo precisa ser compartilhada com outras unidades operacionais (principalmente as áreas-alvo) e alguns processos precisam ser construídos para que isso aconteça de forma fluida. Uma vez estabelecida a estratégia de implantação do e-learning, é hora de pensar no LMS.
2. Basta implantá-lo e os resultados virão
Ledo engano. Muitas empresas colocam muito esforço produzindo treinamentos que não são realizados. Um dos motivos deste gasto sem aproveitamento é a ausência de uma cultura de e-learning. Algumas ações ajudam na sua evolução, mas o principal ponto é sempre a aplicabilidade e a relevância do tema ao dia a dia do profissional, já que o tempo está escasso nas organizações.
Portanto, é importante prever ações contínuas de engajamento, de divulgação de novos conteúdos e inovar no formato e na abordagem, trazendo sempre renovação e atualidade aos treinamentos publicados.
3. O valor do e-learning está na redução de custos
Ele pode contribuir, principalmente, em empresas com unidades distantes geograficamente. Mas este não pode ser o fim em si. Para o negócio, se for certeiro, ele traz muito mais ganhos pela implantação rápida de conteúdo estratégico (aprender rápido), pelo alcance que dá às ações de capacitação (atingir rápido), pelo acesso contínuo ao conteúdo (revisão ao alcance) e aprendizagem individualizada (auto-gestão).
Segundo Peter M. Senge, “a única vantagem competitiva sustentável é a habilidade de uma organização de aprender mais rápido do que a concorrência”.
4. O e-learning elimina treinamentos formais em sala de aula
Ele é mais um formato. É contemporâneo e muito aderente a certas necessidades críticas nas demandas atuais de capacitação. No entanto, o que se busca desenvolver nos profissionais é que vai indicar qual a melhor alternativa de aprendizagem a ser empregada. Uma solução de aprendizagem completa na maioria das vezes requer uma abordagem “blended”, que une estímulos diferentes, como: videoaulas + fórum + tutoria, literatura + sala de aula + plano de ação, videoaulas + tira-dúvidas, sala de aula + aplicação + videoaula, videoaulas + sala de aula (flipped classroom), entre outras inúmeras composições.
5. Manter vivo o “e-learning” custa muito caro
Pode não custar. Com processos definidos, que garantam o envolvimento das áreas na produção dos conteúdos (o especialista é quem tem o conhecimento para gerar o treinamento), uma pequena equipe com habilidades instrucionais e de produção de vídeos e uma infraestrutura mínima, que contemple um LMS e softwares de autoria, está estabelecida a autonomia necessária para mantê-lo vivo.
Estar conectado e atendendo às demandas do negócio, com a flexibilidade e a velocidade necessárias para fazer a diferença, são fundamentais para a sustentação de um projeto de e-learning.
Particularmente, penso que a abordagem digital não tem mais volta. Acho que deveria estar na pauta de todos RHs.
Raquel Sievert é Coordenadora da Universidade Corporativa da Senior, uma das maiores empresas especializadas em tecnologia para gestão do país.




