Entenda como funciona esse sistema de práticas que prioriza a regeneração ativa dos recursos naturais sem abrir mão da viabilidade econômica da produção, mudando a lógica produtiva do campo.
O clima e o mercado pressionam o agronegócio do país e demandam respostas concretas para as suas exigências. Quase um terço (30,5%) das emissões de gases de efeito estufa (GEEs) são originárias do campo no Brasil, conforme o Relatório Bienal de Transparência do Brasil, entregue à ONU em 2024. O caminho para reduzir este dado passa por uma agricultura regenerativa estratégica.
Cada vez mais, discursos de sustentabilidade são apenas um jogo de cena que não comove ou convence fornecedores e compradores dos produtos do agro brasileiro, sejam commodities agrícolas ou outras culturas. O principal desafio envolve a necessidade de ter total rastreabilidade das cadeias produtivas do agronegócio.
Esta preocupação é necessária tanto na perspectiva de gestão interna, para acessar fundos e outros meios de financiamento da produção, quanto externa, para conquistar e vender para clientes de mercados mais exigentes.
Para quem já pratica a agricultura regenerativa, existe ainda a barreira dessas práticas não serem provadas na execução do dia a dia operacional. Nesse contexto, a tecnologia assume o papel de protagonista, auxiliando a superar esses obstáculos.
O que é agricultura regenerativa?
Agricultura regenerativa é um sistema de práticas que prioriza a regeneração ativa dos recursos naturais — solo, água e biodiversidade — sem abrir mão da viabilidade econômica da produção, especialmente com um manejo sustentável de pragas.
A distinção em relação à agricultura convencional é clara: enquanto o modelo convencional extrai e a sustentável busca mitigar os danos causados, a regenerativa trabalha para recuperar o que foi degradado. É uma mudança de lógica, não apenas de insumos agrícolas usados.
Um dos pontos fortes para o Brasil é o fato de o país ser um dos principais players na agricultura regenerativa. A Embrapa Agrossilvipastoril, em Sinop (MT), é reconhecida como a maior plataforma experimental de sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF).
Desde 2011, esse módulo está reunindo dados de longo prazo sobre integração lavoura-pecuária-floresta para servir de referência a pesquisadores de todos os continentes.
Principais práticas da agricultura regenerativa
A agricultura regenerativa se manifesta por um conjunto de práticas que, combinadas, reconstroem a saúde do sistema produtivo, sem que haja um protocolo único. As mais relevantes para o contexto brasileiro são:
Plantio direto
Eliminar o revolvimento do solo preserva a sua estrutura física, protege a microbiota e mantém a matéria orgânica, reduzindo emissões e melhorando a retenção de água entre safras.
Rotação e diversificação de culturas
Alternar espécies quebra ciclos de pragas, distribui a demanda por nutrientes e reduz a dependência de defensivos químicos. Uma rotação bem planejada também melhora a lucratividade ao longo do tempo, optando por culturas que sejam complementares.
Bioinsumos e controle biológico
A substituição parcial ou total de defensivos e fertilizantes químicos por alternativas biológicas reduz custos de insumo, diminui os resíduos na produção e atende às exigências crescentes de mercados que monitoram o perfil toxicológico dos produtos. É a biotecnologia agrícola cumprindo o seu papel.
Cobertura vegetal e sequestro de carbono
Plantas de cobertura protegem o solo entre cultivos, retêm a umidade, suprimem invasoras e capturam carbono atmosférico. Essa prática está se tornando uma ponte entre o manejo rural e a obtenção de créditos de carbono, mas exige sistemas totalmente rastreáveis.
Por que a agricultura regenerativa precisa de gestão integrada?
Adotar as boas práticas da agricultura regenerativa é benéfico sob a perspectiva interna, mas não é o suficiente. Afinal de contas, é preciso assegurar que essas práticas sejam comprovadas por motivos diversos. Entre eles:
– Acesso a crédito e a programas como o RenovAgro e o Plano ABC+ requer comprovação documental de práticas sustentáveis por área e por ciclo produtivo.
– Crédito de carbono depende de auditorias. Sem registro sistemático por talhão, o potencial de monetização simplesmente não existe.
– Controle de custo por prática diferencia uma transição viável de um investimento sem retorno mensurável.
– Planejamento de ILPF e rotação de culturas exige visão integrada de culturas, insumos, infraestrutura e resultados financeiros.
– Conformidade com agenda ESG e exigências de compradores internacionais demanda rastreabilidade total: insumos, manejo e tecnologia.
Como a tecnologia viabiliza a agricultura regenerativa em escala?
A transição para a agricultura regenerativa precisa ser planejada do ponto de vista agronômico e operacional. Afinal de contas, os fluxos de processos podem ser alterados ou reestruturados para que a agricultura regenerativa se torne, de fato, uma realidade para o negócio. Nesse quesito, um ERP para o agronegócio é a base para vários pontos cruciais.
Rastreabilidade digital de práticas por talhão
Cada intervenção registrada no campo — aplicação de bioinsumos, mudanças climáticas, cobertura vegetal implantada, área em plantio direto — alimenta um histórico auditável, que pode ser monitorado de acordo com a área, safra ou responsável. Esse registro é o que transforma boa prática em ativo comprovável perante certificadoras, financiadores e compradores.
Integração entre campo e gestão financeira
Dados agronômicos precisam conversar com as finanças. Conectar custos por hectare, receitas por talhão e o impacto da rotação de culturas permite que o gestor tome decisões baseadas em evidências reais.
Monitoramento e análise preditiva
Sensores de solo, drones de monitoramento e modelos preditivos alimentados por inteligência artificial conseguem acompanhar em tempo real a produção agrícola, a saúde do solo, a evolução da cobertura vegetal e o impacto acumulado das práticas regenerativas. Em muitos negócios, torna-se viável fazer este monitoramento a cada safra, com objetividade e eficiência.
Como a Senior apoia o agronegócio sustentável?
Agricultura regenerativa sem gestão integrada se torna um potencial desperdiçado. Além disso, produtores rurais e cooperativas agrícolas podem vender mais e com preços mais atraentes ao investir em sistemas que contam com uma gestão de originação agrícola. Para preencher essas lacunas, nossas soluções foram desenvolvidas, considerando os desafios e as necessidades do campo.
É possível escalar com controle, eficiência e sustentabilidade ao assegurar rastreabilidade por talhão e por safra, com histórico completo do manejo para certificadoras, financiadores e compradores. Isso permite ainda um controle de custo mais efetivo, medindo o retorno real de cada decisão de manejo, além de redução nos impactos ambientais.
Estes dois pontos são ainda mais assertivos quando há integração automática entre dados de campo e gestão financeira, concentrando todos os dados em um sistema ERP, o que assegura ao gestor uma visão consolidada e completa da operação.
Se as práticas regenerativas já fazem parte do seu negócio, saiba como nosso software de gestão para o agronegócio pode ajudar a provar boas práticas, escalar o desempenho e aprimorar a rentabilidade do negócio. Se você está engatinhando nessa área, a tecnologia faz parte da infraestrutura necessária para dar um salto rumo ao futuro.